quarta-feira, 28 de dezembro de 2016





                                                           SE QUISER VOLTAR...


Meu coração chora
No sufoco da saudade que você deixou
Quanto mais o tempo passa
Mais essa saudade me abraça

Eu quero ver você chegar
Não vou deixar você voltar
Não vou deixar você  sair
De mim mais não
Não vou deixar
Você sair de mim, mais não

Você chegou
Foi tudo ilusão eu lhe aceitei
Meu coração chorou
Quando eu lhe deixei
Mas, aqui estou
Se quiser voltar
Lhe aceitarei

Eu quero ver você chegar
Não vou deixar você voltar
Não vou deixar você sair
De mim mais não
Não vou deixar
Você sair de mim, mais não

Você chegou
Foi tudo ilusão eu lhe aceitei
Meu coração chorou
Quando eu lhe deixei
Mas aqui estou
Se quiser voltar
Lhe aceitarei

Se quiser voltar
Lhe aceitarei


terça-feira, 27 de dezembro de 2016


                                                                 O BEIJA FLOR...


quarta-feira, 21 de dezembro de 2016



                                         

                                            O   BEIJA-FLOR

Resultado de imagem para beija-flor para copiar e colar

Acordei no meio do meu sonho
E tentei dormir outra vez
Para acordar quando o sonho terminasse
Mas meu sonho acabou de vez...

Então entrei em meu jardim
E ali beijei uma flor
Mas logo vi essa flor
Sendo beijada pelo beija-flor
Oi...Beija-flor

O Beija-flor me avisou
Que em cada flor existe amor
E em cada sonho que tiver
Uma flor irá desabrochar
E em cada flor que se abrir
O sonho continuará...
Oi...Beija-flor

Outra manhã chegou
Meu sorriso acordou
O sol clareou o meu mundo
Outro dia começou
Aumentou o meu querer
Oi...Beija-flor...Só lembro de lembrar de você
Oi...Beija-flor...Só lembro de lembrar de você

O beija-flor me avisou
Que em cada flor existe amor
E em cada sonho que tiver
Uma flor irá desabrochar
E em cada flor que se abrir

O sonho continuará
Oi...Beija-flor...
Oi...Beija-flor...

sábado, 29 de outubro de 2016




                                             LUGAR ONDE EU MORO



Hoje acordei mais cedo para ver o sol nascer
E também olhar a lua se esconder
Ouvir o canto do sabiá
Na minha janela o beija-flor pousar

O lugar onde eu moro
É um pedacinho do universo
Onde vejo cantar o sabiá
E o beija flor também estou sempre a observar
O canto dos pássaros me encanta
Também com o cantar do sabiá
É que vejo a aurora despertar

No lugar onde eu moro
O brilho do sol é mais intenso
Seus raios tem mais calor
Meu coração encanta-se com tanto encanto
Que beleza no horizonte
Não me canso de olhar
Logo cedo acordo para tudo observar

No lugar onde eu moro
Se daqui um dia eu sair
Logo eu quero voltar
Encantada com tanta beleza
Enquanto muitos por aqui nem quer passar
Mas posso dizer meus amigos
Que nossos olhos só enxergam o que eles querem enxergar.

sábado, 17 de setembro de 2016





                            TRAIÇOEIRO DESTINO
                             

       Maria do Carmo Baptista






 
 Dedicatória
                                                                                                                                                                                          Dedico a todas as pessoas que ainda acreditam no amor.
Pois o amor é o maior sentimento que nos fortalece.
Mesmo que haja ventos e tempestades, com amor o temporal nunca poderá nos derrubar.





INDICE

I... APRESENTAÇÃO
II... PRÓLOGO
III... O SEMINÁRIO
IV... ORDENADO PADRE
V... PARÓQUIA NA CIDADE NATAL
IV...RETORNO À CIDADE ONDE ESTUDOU
VII... AMOR MAIOR QUE A VOCAÇÃO
VIII. DESPEDIDA DO PADRE LEVI
IX... CONFISSÃO
X... OS FILHOS
XII... A DOENÇA
XIII... A VIUVEZ
XIV... SAUDADES E LEMBRANÇAS
XV... POESIAS


Apresentação


      Aqui começa uma bela história de amor.
Uma história fictícia entre a vocação e a paixão.
Todos os personagens são fictícios.
   Se você viveu uma história parecida ou conhece alguém terá sido uma mera coincidência.
     Se você ama, leia e continue amando.
Se você já amou, leia e volte amar.
Se você nunca amou, leia e comece amar.


                                                Prólogo


    No silêncio da noite Levi conversa com seus botões. Tudo o que vivi já passou. O que estar por vir ainda viverei. Tudo no futuro é incerto. Mas, são as incertezas que me fazem esperar com paciência. 
E ainda continuando. Quando pensei em parar, olhei para traz e revivi os momentos que vivi. Sei que o certo é continuar tentado entender o que virar.
    A vida é um eterno jogo, mas o equilíbrio é que me faz entender que, aqui se ganha, aqui se perde.
Mas com todo o equilíbrio muitas coisas continuam presas na garganta de Levi.
    Só se vive por viver, e sempre querendo saber o por quê?
Procurando sempre uma palavra que complete o espaço que existe entre, “O VIVER E O MORRER”.
    Muitas vezes, nossos sonhos invadem nossa alma, nossos pensamentos, deixando mais acelerado nosso coração.
E assim sentimos ter a certeza de que tudo que queremos é real e vai acontecer. E com a força do pensamento nossa alma leva essa nossa certeza para dentro do nosso coração.
E a certeza do que queremos ser com o tempo se transforma em vocação.
A vocação é tão forte que não medimos esforços nem distância, nem saudades. Só queremos ser o que queremos ser mesmo.
Nada nos faz mudar a nossa vontade o nosso desejo.
E com esse sentimento de mudança é que deixamos que a vida nos leve para caminhos que não conhecemos e quando nos damos conta já se passaram muitos anos das nossas vidas. E aí perguntamos o que fizemos?  E agora? O que vamos fazer? Mas, a certeza e a convicção da nossa vocação, nos deixa forte a tal ponto de suportar qualquer obstáculo encontrado à nossa frente.
    Mas, viver é ficar em equilíbrio o tempo todo entre escolhas e consequências. E se as nossas escolhas não nos fizerem bem?
Se nossas escolhas não forem as mais corretas? 
E assim se nada der certo, sabemos que somos merecedores de um novo recomeço.
E se lá no meio da nossa luta tentando fazer a nossa escolha dar certo, alguma coisa tentar nos levar para outro caminho?
Assim vivemos cada dia tentando, vivemos sempre sonhando e escolhendo.
E nesse vivendo tentando e sonhando posso dizer: Sonhe! Sonhe tudo aquilo que for necessário sonhar. Realize tudo aquilo que você acha possível realizar. Muitas vezes nossos limites são testados, mas nunca devemos nos esquecer de que em nosso coração existe uma força que não nos deixa fraquejar. Sabe-se que é através da luta que vivemos em busca do que queremos e sonhamos.
Desistir é uma palavra que não acompanha quem ama a vida.
Pois o amor é o maior sentimento que nos fortalece.
Não lamentemos do que não possuímos, sejamos gratos com o que temos e assim enxergaremos a verdadeira felicidade.
   Estou falando estas coisas, porque quando você estiver lendo esta história passo a passo você vai sentir que o amor é a maior força que nos acompanha e nos dá mais vontade de viver.
E mesmo enfrentado as dificuldades e os desafios que a vida nos impõe existe sempre uma grande força dentro de nós para manter o nosso equilíbrio.
Pois viver é um equilíbrio constante. Vivemos cada dia tentando e fazendo nossas escolhas.
E se essas escolhas não nos forem satisfatórias temos que suportar as conseqüências. E de cabeça erguida seguir em frente sem desanimar.
E quando você se sentir um vitorioso, então grite alto para todo mundo ouvir.
“EU VENCI” e cheguei onde gostaria de chegar.
Estou no lugar que sempre quis e que sempre sonhei estar.
Mesmo que seja por algum tempo, você conseguiu. Pois se sabe, que nada é para sempre. Apenas passamos e vamos deixando tudo para trás.
O importante e mais precioso é seu desejo, sua vontade, seu objetivo, sua escolha, sua vocação ter dado certo em algum momento.
Então além do seu grito de vitória você ainda pode falar para você mesmo.
“Eu quis, eu fiz, eu realizei, eu conquistei. Eu sou feliz”.
Aqui estou feito um pássaro livre para voar para qualquer direção que minhas asas quiserem me levar.
Assim você pode falar. Hoje sou mais forte que ontem, amanhã serei mais forte que hoje.
E assim seguirei enfrente até encontrar o meu ninho e nele pousar satisfeito sabendo que a felicidade estar onde deveria estar.
Lembrando sempre que o sol amanhã brilhe mais forte.
Que o amanhã seja melhor que hoje.
Que a vida seja um lindo e sincero sorriso aberto e colorido.
E que você nunca desista do AMOR. Pois o amor é o maior sentimento que nos fortalece.




                                                             O Seminário


     Levi acorda cedo, vai até a janela do seu quarto que está entre aberta. Olhando o céu nublado, nuvens escuras anunciando que logo cairá um grande temporal. Vento muito forte, raios cruzam o céu, trovões estrondam aos ouvidos e a chuva começa cair muito forte.
    Sempre gostava de observar o nascer do sol, para começar bem o seu dia. E assim começa o dia agradecendo as maravilhas da vida.
    É nesta hora no silêncio da manhã que sente muita paz.
Seus pensamentos voam para todos os lugares que o deixa levar.
Momento de reflexão após mais uma noite de sono tranquilo.
   Mas, neste dia ao invés de sol, Levi via uma chuva muito forte, relâmpago e trovões.
Poucas pessoas andando nas ruas, com seus guarda-chuvas, tentando se proteger do grande temporal.
Ainda olhando pela janela Levi observa que uma jovem estava parada encostada na grade que cercava o Convento.
Aquela jovem estava ali aguardando o temporal passar, pois não usava guarda-chuvas. A chuva caia torrencialmente.
Por um instante um raio muito intenso cruzava o céu.
O clarão era tão forte que Levi fechava os olhos tentando proteger sua visão.
Os sinos do convento tocavam anunciando que eram seis horas da manhã.
  Levi continua olhando a chuva e percebe que o temporal está amenizando e a jovem que estava ali parada, agora começa caminhar lentamente. Com as roupas encharcadas e seus cabelos negros e compridos molhados, parecia tremer de frio.
E vendo a jovem naquele estado sente vontade de sair e protegê-la.
    Da janela dava para ele ver nitidamente o rosto daquela linda jovem que pouco a pouco ia se afastando.
    Os sinos voltam a tocar, chamando todos para oração da manhã.
Levi fecha a janela do quarto e desce a escada juntando-se aos outros seminaristas.
   Ele tem a certeza de que sua vocação é mesmo ser padre.
No auge dos seus vinte e dois anos, longe dos pais que ama tanto e que também moram no sul do Brasil.
  Muitas vezes se pega pensando na família que deixara em sua cidade Natal. A saudade quase sempre invade seu coração e o deixa triste.
Há dois anos deixara sua cidade para seguir a vocação na certeza do que queria.
  Seus pais apesar da saudade estão muito satisfeitos e felizes com a escolha do filho. Saudades sentem, mas sabem que Levi está muito feliz no Seminário.
  Para se comunicar com o filho os pais enviam cartas.
Em todas as cartas sempre estava escrito um texto que Levi lia e chorava.
 “ Filho, temos muito orgulho de você. Deus o abençoe sempre.
Nunca desista do que você quer ser. Caminhe com fé e segurança.
Há uma mão firme e pronta a ajudá-lo seu desejo alcançar, acredite sempre”.
   Entre todos os pensamentos de Levi, seu sonho e vocação são de celebrar missas, fazer casamentos, ajudar a todos.
Fazer tudo que um padre pode e deve fazer pela Igreja e pela comunidade.
   Terá que estudar e se preparar bastante para fazer tudo isto muito bem feito.
   No seminário buscava Deus e sabia com certeza de que estava no caminho que sempre desejou estar.
Entre todos os jovens que ali estão estudando para ser um sacerdote, Levi é o que mais incentiva os colegas.
Não que os outros seminaristas não soubessem o que queriam, mas é que Levi dava palestras entre eles e os orientava de muitas coisas que porventura viessem pela frente.
  Todas às manhãs havia uma missa celebrada pelo padre Elias.
Padre já muito experiente de mais de vinte anos de sacerdócio.
Amigo de todos e muito solidário com a comunidade.
  Cada dia que passa, Levi sabe mais de que está certo do que quer.
Sua vocação está em seu coração. Quer mesmo servir a Deus e a comunidade.
  Seus pais sentem orgulho da vocação do filho e não vêem a hora dele está no altar celebrando a missa para muitas pessoas como ele sempre quis.
   Enrico, seu amigo e colega de quarto, conta sempre suas histórias de infância.
Muitas coisas são parecidas com as que Levi viveu em sua infância também. Só uma coisa é muito diferente. Enrico não tem mãe.
Sua mãe havia falecido logo ao lhe dar a luz.
Assim, Enrico não havia conhecido o amor da maior preciosidade que um ser humano pode ter.
Só quem não tem é que sabe a falta que faz o amor de uma mãe.
  Levi sempre agradece todos os dias por ter sua mãe e ter uma família bem estruturada.
Enrico, um jovem alegre e ao mesmo tempo tinha um olhar triste.
Nunca ter sentido o carinho de mãe, deve lhe ter feito muita falta na sua infância. Até mesmo hoje na sua juventude também.
  Muitas vezes Levi fala sobre sua família, conta histórias da sua infância.
Enrico se interessa muito por tudo que o amigo fala.
Enrico não tem irmão, foi o primeiro e único filho e diz se sentir culpado por sua mãe ter escolhido a morte para que ele viesse ao mundo.
Sim, foi essa a história que seu pai lhe contou logo que ele completou seis anos de idade.
Sua mãe teve que escolher entre ele e a vida.
Se ela quisesse continuar viva, ele teria que morrer.
Mas ela escolheu que ele nascesse para conhecer esse mundo.
Enquanto que ela se despediu daqui ao mesmo instante em que ele nasceu.
Desde os seis anos de idade sabe que sua mãe deu a vida por ele.
E assim Enrico foi crescendo sabendo que a sua heroína deixou de viver para que ele tivesse ali contando a sua história.
E com os olhos marejados em lágrimas Enrico ainda continua.
- Nunca tive a oportunidade de chamar pelo doce nome de mãe.
- Meu pai nunca cuidou bem de mim. Sempre foi ausente em tudo. Parecia até que nunca me perdoou por minha mãe ter morrido e acho que me culpava por isso.
-Talvez por esse motivo nunca tenha recebido o carinho, nem atenção que eu precisava ter.
- Por ter uma vida vazia de carinho de pai e mãe, minha tia Vanda, irmã da minha mãe tomou conta de mim.  Cuidava-me com todo carinho e atenção que eu precisava.
- Quando eu completei oito anos, meu pai casou-se outra vez com uma senhora de nome Ana. Aquela mulher se tornou minha madrasta.
- Ao casar-se, meu pai mudou-se para outra cidade e levou-me com ele.
 - Assim fiquei longe da minha tia Vanda.
- Fui crescendo sentindo aquele sentimento de abandono, tanto do meu pai, como da minha madrasta, que me tratavam feito nada.
- Quando por várias vezes tentava chamá-la de mãe, logo, ela me respondia com aspereza.
-“Não me chame assim, pois eu não sou sua mãe”.
- Com os seus gritos, me afastava tímido e me sentava em um banquinho na sala e ali eu chorava e pedia muito para que Deus me levasse para perto da minha mãe.
- Com o meu pai não adiantava conversar, pois muitas vezes ele presenciava tudo e nada fazia para me ajudar.
- Conforme eu ia crescendo, acreditava que meu destino tinha sido traçado de uma forma que eu esperasse mudar ou até quando Deus quisesse.
 - Com tudo, mesmo assim estudei e aos dezenove anos terminei o meu segundo grau.
 - Por tanta coisa que sentia e passava, nunca fui um revoltado.
Triste sim, mas revoltado nunca.
 - Quando pequeno eu ia à missa com a minha tia Vanda e desde então nunca mais deixei de freqüentar a igreja.
- Todos os domingos, minha obrigação era acordar cedo, colocar a melhor roupa que tinha e ir à missa.
Sempre que via o padre fazer o sermão, achava tudo aquilo muito bonito e pensava comigo mesmo.
Um dia vou ser um padre. E aqui estou eu.
- Mas hoje meu amigo Levi, de coração, de verdade posso dizer que sou feliz como nunca fui.
   Levi ouvia com carinho tudo que o amigo lhe falava.
E quando soube da verdadeira história de Enrico ficou tão solidário a ele que logo o convidou para que ele conhecesse a sua família.
E assim nas próximas férias o levaria para sua cidade.
Enrico contava para Levi que resolveu ser padre não por vocação, mas sim, por não querer nunca casar-se e ter filhos.
Pois um trauma ficou dentro do seu ser.
Talvez, se um dia casasse e engravidasse sua esposa, poderia acontecer com ela o que aconteceu com sua mãe.
O refúgio que achou foi o seminário.
Poderia até estudar e escolher uma boa profissão, mas seu interesse maior no momento foi pelo seminário.
Mas, agora com o tempo e os ensinamentos, está aprendendo que sendo padre, poderá ajudar muita gente. E está gostando muito do seminário e de ter encontrado um grande amigo.
    Por tudo que está aprendendo, agora tem a certeza de que fez a melhor escolha. E a sua escolha, quem sabe poderá virar vocação.  
    Levi sabia que de agora em diante, um grande amigo faria parte da sua vida também.
    Sempre que tinham um tempo, o dialogo entre os dois era muito sincero.
    Levi cumpriu o prometido. Nas férias de final de ano levou Enrico para conhecer seus pais em sua cidade natal.
    Logo que chegam apresenta Enrico a todos e conta a história dele aos pais. Enrico é bem acolhido e tenta ficar a vontade.
   Tentando achar motivo para sentir-se feliz ali ao lado deles, Enrico procura está sempre com um sorriso em seu rosto.
E assim os dias passam. Levi sempre fazendo os dias do amigo melhores que todos.
    Por sua vez Enrico vendo ao seu redor a família de Levi, todos unidos e muito amor entre eles, estão realmente sentindo-se felizes.
    Diante de tudo que estava vendo, assim teve a certeza de que realmente Levi tinha vocação para ser padre.
Pois tendo uma família maravilhosa como essa e optar por ficar distante confinado dentro de um convento, só poderia ser vocação mesmo.
Não se intimidou e ali mesmo fez uma pergunta ao amigo.
Já sabendo da resposta se atreveu a perguntar.
- Levi, o que te levou a resolver ser padre e ficar tanto tempo longe dessa linda família?
A resposta de Levi veio de imediato.
- Minha vocação, a vontade de servir a Deus, me faz viver esse tempo longe dos meus pais. Mas sei que eles sentem orgulho por isso.
E mesmo longe estou sempre perto deles. Levo-os no meu coração.
E eu fico no coração deles. Logo que me tornar padre eles estarão sempre comigo assistindo as missas que celebrarei.
    De cabeça erguida, satisfeito com o que ouviu, Enrico estende a mão para apertar a mão do amigo, e o parabeniza pela resposta.
    Os dias de férias passaram muito rápido e logo tiveram que voltar ao seminário.
    Assim passavam os seus dias. Estudavam, ouviam as palestras, ajudavam nos afazeres, cuidavam das obras sociais.
Cada dia aprendiam coisas novas. Tudo que se precisa aprender para se tornar um padre.
   Levi sempre atento a tudo, não deixava passar nada sem tirar suas dúvidas com os professores.
  Quando Enrico e os outros seminaristas precisavam de ajuda, Levi estava sempre disposto a ajudar e a os orientar de modo a fazer todos compreenderem que tudo o que estão vivendo vale muito a pena.
   Estudariam filosofia três anos e teologia quatro anos.
Durante sete anos até se ordenarem padre. Levi sempre sincero e verdadeiro com ele mesmo e com os outros.
   Gostava muito de ajudar e sentia muito prazer em servir a todos.
Ainda estava no início de sua jornada, mas parecia já entender muito bem o que viria pela frente. Faltavam ainda três anos de muito estudo e muita preparação para chegar ao seu objetivo.
Cada passo que dava, cada dia que passava, sabia que estava mais perto de conseguir transformar a sua vocação em prática.
Logo que terminasse seus estudos, se tornaria um padre e poderia fazer o que sempre quis e desejou.
Nada lhe fazia falta, seu foco era os estudos. E cada palavra ouvida dos seus superiores, enchia seu coração de mais amor pelo que se dedicou a estudar.
Nunca se sentiu um fraco, pois o amor que existia dentro do seu coração o tornava cada vez mais forte.
    Era uma jornada dura, mais venceria e colocaria em prática tudo que estava aprendendo, logo que se tornasse padre.
    Jamais, passou pela sua cabeça em desistir. Feito outros colegas seus que logo que viram as lutas deixaram o seminário e voltaram as suas vidas normais de antes. Desistiram, pois o que sentiam talvez não fosse vocação. Apenas, talvez, uma simples vontade de serem diferentes.
Uma vontade que nos primeiros obstáculos, nas primeiras lutas não aceitaram mudar.  
É assim a vida, cada um segue o que mais lhe é conveniente. O que mais lhe satisfaz seus anseios e desejos.
O mais importante é viver bem consigo mesmo.
E vivendo bem consigo mesmo com certeza fará o bem a quem estiver ao seu lado.
Era assim, que Levi pensava. Seu lema era esse.
Viver bem e fazer o bem sem olhar a quem.
E entre erros e acertos só queria ser vencedor.
   Levi estava sempre pensando e falando com seus botões.
E neste impulso de lutar e vencer estou eu aqui quase me tornando um padre e assim cumprirei minha tarefa de vocação.
Depois com as minhas obras praticadas então estarei cumprindo minha missão.
Mas, nenhum dos que desistirem não deverá jamais se considerar fracassados.
Cada um é o que deseja ser, o que acha que é melhor para se viver. E jamais desistir com os obstáculos encontrados.
Pois, são os obstáculos que nos fazem acentuar mais a nossa vocação.
E no final sentimos a alegria de ser um vencedor.
   Vocação é não ter dúvida do seu querer, independente de experimentarmos o sabor da vitória.
   Tudo começa e termina quando você está convicto do que quer.
Contudo, ninguém poderia ser tão feliz quanto eu.
Em todo o tempo em que estou no seminário, nenhum dia tive dúvida do meu querer.
   À medida que os dias iam passando mais se aproximava a realização do seu sonho.
   Convencido disso, sabedor dos seus direitos e cumpridor dos seus deveres estava ele alcançando a sua meta.




                                                    Ordenado Padre


    Enfim o dia da sua ordenação. O sonho realizado. A vocação sendo realmente atendida aos anseios.
    A missa de confraternização de todos os ordenados foi celebrada pelo Bispo Anselmo, que em meio a tanta emoção falava.
   “Que beleza! Que coragem! Que fé em Deus! A juventude, a fé e o amor de vocês a Deus é contagiante! Como é bonito ver a coragem de vocês tão jovens, deixando tudo por amor a Deus.
Não tenham medo de entregar a vida integralmente a Deus.
Sigam o que Jesus aconselhou: perder a vida para ganhá-la.
Não é possível dizer sim ao próximo sem dizer não a si mesmo.
Assumir a vida sacerdotal é morrer para si mesmo e viver para Deus e para os seus filhos.
O Sacerdote é aquele que, como Cristo, se deixa imolar como o “Cordeiro que tira o pecado do mundo”.
   E pela imposição das mãos do Sr. Bispo Anselmo, receberam o Sacramento da Ordem, que vem do próprio Cristo pela sucessão apostólica. Sem isso não há poder sagrado transmitido.
  O bispo Anselmo ainda continuava... “Por isso, vocês agora vão atuar (Na pessoa de Jesus). Quando vocês perdoarem, é o Cristo quem estará perdoando, quando vocês celebrarem, é o Cristo que por vocês estará celebrando.
  Ordenação Sacerdotal de seis Jovens alegres e vibrantes, preparados tanto humanamente como espiritualmente para servirem ao nosso Deus, entregando-lhe a vida de maneira indivisa na sua idade mais bela”.
  Os pais de Levi emocionados com as palavras do Bispo Anselmo, parabenizam o filho por vê-lo feliz e realizado.
  Para onde deveria ir agora? Pensou Levi segurando a mão da mãe e olhando para o pai com uma expressão de vitória.
   Querendo dizer-lhes.
- Pai! Mãe! Venci... E já estou pronto para celebrar.
   O pai orgulhoso abraça o filho deixando escorrer uma lágrima em seu rosto. Falando com a voz embargada pela emoção.
- Parabéns meu filho! Vitorioso, vencedor! Hoje vejo realizado um sonho que era só seu. 
- Ninguém queria tanto realizar esse sonho quanto você.
- Você fez por merecer, lutou e conseguiu.
- Será sempre abençoado por mim e por Deus.   
   Ainda abraçado ao filho tira um lenço do bolso da calça e seca as lágrimas que insistem em molhar seu rosto.
   Ao lado deles a mãe vendo aquela cena, não consegue segurar as lágrimas e abraça o filho também.  
  Quando quase todos já haviam se cumprimentado, Levi ainda continuava conversado com seus pais, que não queriam perder nenhum momento ao lado do filho. Entre abraços e cumprimentos todos estavam muito felizes.
Agradecendo o presente do dia. O Bispo Anselmo ao terminar a cerimônia, dizia:
  “Deixem Deus entrar em seus corações e que o sol aqueça com seus raios suas almas, para que tudo fique iluminado e que todos os dias vocês façam valer as bênçãos da vida. Pois Deus os fez fortes para que vocês possam ir além do que vocês possam imaginar.
Para vencerem os obstáculos que encontrarem pelo caminho.
E que todos saibam esperar o momento certo para cada coisa.
Saibam que, tudo chega a sua hora. Que seus limites sejam testados e obedecidos e que vocês façam valer e agradecer as bênçãos de cada dia. Tentem fazer tudo certo, para não se arrependerem.
É Impossível não errar, mas se errarem tentem acertar”.
  Sendo o mais sincero possível com todos, o reverendo ainda continua falando.
  “Se tudo acontecesse conforme planejamos, jamais sentiríamos o desejo de fazer tudo dar certo outra vez.
  Sejam como os pássaros, confiem em vocês mesmos, pois a confiança e a força são suas asas.
  Façam sempre o bem sem olhar a quem.
E então no espelho da vida, vejam se o seu reflexo lhe permite serem felizes”.
E com essas palavras o reverendo encerra a linda cerimônia.
 Tudo o que foi falado e orientado todos sabiam que tinham que seguir e passar esses ensinamentos as pessoas.
Levi estava no lugar certo, disso tinha certeza.
  Naquela tarde, logo após a cerimônia o sol no horizonte se escondia deixando uma nuvem alaranjada colorindo o entardecer.
O dia se vai, dando lugar à noite para que todos tenham seu descanso natural.
    Muito satisfeito Levi cheio de puros sentimentos e realizado por ter cumprido mais uma tarefa em sua vida.
    Logo, cada um seguiu seu caminho.
Padre Levi por um tempo ficou responsável na mesma cidade que estudou cuidando somente das obras sociais.
Padre Enrico ficou responsável pela paróquia da cidade.
A bela Igreja Matriz.
Muito amigos, agora Padre Enrico e Padre Levi estavam sempre juntos um ajudando ao outro. Sempre falavam um para o outro que na vida há tempo para tudo.
  - Meu querido amigo muito agradecido pela força e confiança que me passou e me passa até agora. Falava Padre Enrico abraçando padre Levi.
   Na sua humildade padre Levi falava sempre.
 - Não sou tão forte como você acha que sou.
 - O que me fortalece é o Deus que habita dentro de mim.
 - Que me faz saber esperar o momento certo para cada coisa.
- E assim, habitando dentro de você também o fará forte para vencer os obstáculos que por acaso encontre em seu caminho.
- Não fraqueje no primeiro obstáculo, pois cada dificuldade que você encontrar é um meio para se fortalecer.
- Assim, logo você se tornará um vencedor.

                                         Paróquia na cidade natal


    Após um ano de ordenação, Padre Levi foi encaminhado para se responsabilizar pela paróquia de S. Sebastião em sua cidade natal.
Naquele momento tudo que ele mais queria, era ficar perto de seus pais.
Nesta paróquia padre Levi celebraria as missas todos os domingos pela manhã.
Logo os fieis estavam muito satisfeitos com o seu modo de se comunicar.
Sua mãe muito orgulhosa distribuía panfletos na cidade anunciando a missa de domingo celebrada por seu filho.
  Parecia que o cansaço nunca se fazia presente em seu corpo.
Mesmo que dedicasse o seu dia inteiro para fazer suas visitas aos que necessitassem da sua presença estava sempre com disposição para tudo. 
Seus pais o aconselhavam a descansar.
Mas sua resposta vinha sempre na ponta da língua e com muito bom humor.
Dizia ele sempre sorrindo.
- Só descansarei quando eu for para o outro mundo.
Lá terei muito tempo para fazer isso.
E com um sorriso mais largo ainda continuava.
- Espero que essa hora de descansar demore muito para chegar.
- Não tenho pressa disso.
- Ainda tenho muita disposição e coragem para ajudar aos que necessitam do meu apoio.
   Sabia que por tudo que fazia ainda era pouco pelo que se propôs durante o tempo que estudou.
Na humildade do seu ser, vivia só para fazer o bem, sem olhar a quem.
   Domingo chuvoso, Igreja cheia missa sendo celebrada.
  Padre Levi muito comunicativo e feliz.  Na hora do sermão o coroinha pede licença ao padre e fala algo em seu ouvido que o deixou muito preocupado.
De imediato teve que fazer uma pausa e avisar aos fiéis.
- Meus queridos amigos. Tenho que avisar a todos vocês que acabei de receber uma terrível notícia.
- Meu pai acaba de sofrer um infarto e está sendo levar ao hospital.
- Peço que todos rezem pela sua saúde.
Mesmo preocupado com estado de saúde do pai, padre Levi termina de celebrar a missa.
Logo sai apressado a caminho do hospital para saber melhor o que havia acontecido com ele. 
De encontro ao médico pergunta sobre a saúde do pai. Mas, Dr. Artur não lhe trouxe boas notícias.
Fala com voz mansa e serena, olhando nos olhos do padre Levi.
- Fizemos tudo que pudemos, mas infelizmente seu pai acaba de entrar em óbito.
- Dr. Artur vendo que padre Levi estava muito abalado com a notícia tenta consolá-lo.
   Sua mãe vem de encontro a seu peito e ali chora baixinho, deixando que as lágrimas molhassem a camisa branca que ele estava usando.
   Tentando consolar a mãe, padre Levi engole o soluço que insiste em sair deixando embargada sua voz.
   Na sua simplicidade e sabedoria, tentando manter o equilíbrio, passo a passo, procurou arrumar tudo com cuidado e muito carinho.
Muitos amigos e conhecidos compareceram para prestarem solidariedade.
   Ao amanhecer o dia, por volta das nove horas da manhã, todos assistiram a missa de despedida antes do sepultamento.
Missa celebrada pelo Padre Levi que manteve o equilíbrio e fez uma linda celebração para a despedida do corpo do seu pai.
   Padre Levi ficou em sua cidade por oito anos. Muito conhecido e admirado pelas suas boas obras.
   Em todos os anos em que se dedicou a paróquia de S. Sebastião, foi sempre muito querido e respeitado por todos.
   Sempre fazia suas visitas, ajudava aos mais necessitados. Realmente, incansável.
Sabia ouvir com muita paciência aos lamentos dos que precisavam desabafar. Aconselhava quando era necessário, se tornou um grande amigo de todos.



                         Retorno à cidade onde estudou


   Padre Enrico foi transferido da cidade onde se responsabilizava pela bela paróquia. Logo foi necessário outro padre para substituí-lo.
   Por conta disso padre Levi foi convocado a ocupar o lugar de padre Enrico. De imediato padre Levi volta muito feliz  à cidade onde estudou.
E muito feliz se tornou responsável pela igreja.
   Com muita alegria e devoção padre Levi celebra suas missas.
Tudo muito simples, cada dia tentando melhorar e passar confiança a todos. Dia após dia, dedicação e muita perseverança.
    Sabia de certo que ser padre é um conjunto de missões.
Ensinar, cuidar das pessoas, dar conselhos, orientar, abençoar, absorver, sofrer junto etc.
Um padre se torna o pai de uma comunidade.
Cuidar de todos em geral e no particular, visitar, conhecer, auxiliar o povo na evangelização. Cuidar do administrativo e financeiro da Igreja, atender confissões, celebrar e ainda ter tempo para rezar e ter lazer.
   Para fazer tudo isso é necessário ter muita força de vontade, determinação e principalmente muita vocação.
Há quase um ano sendo pároco daquela igreja, já muito conhecido por todos até mesmo os moradores das cidades vizinhas vinham assistirem a missa do padre Levi.
Muitos sentiam confiança em fazer seus desabafos ou suas confissões com ele.
   Naquele confessionário padre Levi ouvia a todos com muita atenção e serenidade.
   Entre tantos que sempre estavam ali para contar-lhe seus lamentos, uma jovem chamava-lhe atenção.
Afinal de contas já se passaram alguns anos, mas padre Levi ainda lembrava-se nitidamente daquele lindo rosto.
   Apesar de ter visto aquele rosto de longe sabia com certeza de que quem estava ali para se confessar era a jovem que ele havia visto da janela do quarto quando ainda era seminarista.
Já se passaram quase doze anos e aquele lindo rosto continuava o mesmo. Agora bem de perto no confessionário estava ele a ouvir os lamentos daquela linda jovem.
E assim cada vez que a ouvia ia sabendo mais sobre a vida dela.
Aquela jovem jamais imaginava que ele a havia observado naquele dia de temporal, onde ela ficara por algum tempo, encostada na grade que cercava o seminário. Contudo padre Levi a ouvia e a aconselhava. Jamais deixava de prestar muita atenção a tudo que ela lhe falava.
Por muitas vezes ela estava na igreja e por fim padre Levi já sabia da vida dela desde a sua infância.
Pequenos detalhes, tudo o que lhe acontecera. Confiava tanto no padre Levi que ele já havia se tornado seu amigo.
Seu nome Elisa, filha única de um fazendeiro bem sucedido da região.
Formada em veterinária, cuidava com muito amor dos animais da fazenda do pai.
   Em todos os seus momentos de lazer montava no “predileto” seu cavalo branco cheio de vida que a levava sem destino nos caminhos da fazenda em busca do nada.
Só o prazer de galopar já a fazia sonhar e passar bons momentos de sua vida. Quando prendia seus cabelos, usava seu grande chapéu, suas botas com esporas, parecia uma perfeita amazonas.
Para Elisa o seu mundo na fazenda era da mais pura felicidade e nada lhe faltava.
  E olhando o por do sol encostada ao celeiro, Elisa sentia-se muito feliz ao observar aquela linda cena que a fazia viajar para um mundo de sonhos e fantasias.
   Em meio a tanta beleza e vendo todos os animais naquele imenso verde ainda pastando, era tudo o que ela mais gostava de admirar todas as tardes antes de voltar para sua casa na cidade.
   Em seu sorriso havia um brilho que iluminava seu rosto, deixando quem estava ao seu lado encantado com tanta beleza.
Cabelos escuros e longos que davam forma ao rosto arredondado.
Já com seus vinte e nove anos, ainda era solteira. Não pensava em casar-se, pois até então não havia tido interesse por nenhum jovem dali.
   Padre Levi sentia prazer em ouvir as mais variadas histórias de cada um. A maior parte da comunidade dali sempre foi muito carente.
Padre Levi se tornou um ponto de apoio para os humildes.
Todos tinham muita confiança nele. Pois para ele a felicidade dele dependia da felicidade dos outros.
   Muitas vezes antes de dormir ainda tinha tempo para ler seus bons livros. Ou às vezes tocar suas músicas preferidas em seu piano.
Mãos leves, dedos compridos tocavam suaves melodias que faziam bem aos ouvidos de qualquer pessoa.
Mas, no silêncio da noite só ele ouvia o som daquele piano.
Por mais que ficasse sozinho à noite em seu quarto, não sentia solidão. Pois todos os seus dias eram preenchidos de muitas responsabilidades e muitas palestras.
  Após boa noite de sono levanta-se rápido, vai até o lavatório, lava seu rosto para despertar. Olha-se no espelho percebe alguns fios de cabelos brancos. Até então nunca havia se observado tanto no espelho.
Não tinha vaidade nenhuma.
Vivia na sua simplicidade.
Não pensava em si, somente os outros lhe importava.
Se todos estivessem bem, ele também estava.
Seu coração era de uma tamanha grandeza, impossível descrever. Responsável pela Igreja, a sua companhia era seu piano, seus livros e suas orações.



                                     Amor maior que a vocação


    Com o tempo a presença de Elisa já lhe deixava meio sem jeito.
Mas cedo ou mais tarde teria que se afastar dali ou confessar o que estava sentindo. Tentava ser forte e afastar esse sentimento que lhe atravessava a alma. Mas seu coração não mais o obedecia. O que sentia por Elisa era um sentimento diferente do que sentia pelas outras pessoas. O que está acontecendo? Ansioso às vezes se perguntava.
Mas não tinha resposta.
Nunca nenhuma moça chamou-lhe tanta a atenção assim.
Mas guardava esse sentimento dentro do seu coração. Mas sabia de certo que seu peito estava transbordando de uma imensa paixão.
Sua vocação não podia está ameaçada.
   Elisa jamais imaginara tamanha coisa. Quando se aproximava do padre Levi seu sentimento por ele era de muita gratidão e respeito.
  Há alguns dias, Elisa andava muito triste, pois sua mãe estava adoentada. Tentando achar consolo, procurava sempre o padre para conversar. Nestes momentos de conversa e desabafo percebia que o padre Levi a olhava de um modo diferente.
Um olhar penetrante com mais brilho como nunca havia visto.
Um aperto de Mão e um abraço como nunca havia sentido.
Em silêncio Elisa pensava.
- Será coisa da minha imaginação? Um padre jamais se interessaria por mim! Talvez estivesse ela vendo coisa demais.
Ele não poderia estar misturando carinho, afeição, apoio com outro tipo de sentimento. E pedia perdão a Deus por seus pensamentos tolos.
Não! Isso não poderia está acontecendo, seria impossível.
Talvez precise deixar de ir a Igreja por algum tempo.
A caminho de sua casa ainda estava a pensar.
- Não! Eu estou enganada.
- Estou cometendo um pecado ao pensar essas coisas do padre Levi.
- O que está acontecendo?
- Impossível...
- Impossível...
Guardou esses pensamentos só para ela.
Não comentando nada com ninguém.
Nem mesmo com sua mãe, que era sua melhor amiga.
Mas tentou encontrar uma desculpa para se afastar da Igreja por algum tempo.
E o domingo chega. Não vai à missa. Outro domingo também não vai.
Dois domingos sem ir à missa e padre Levi sente sua falta.
Preocupado, procura logo saber o que estava acontecendo com ela.
Como a mãe de Elisa estava adoentada, padre Levi aproveita a oportunidade de fazer-lhe uma visita e assim conversar um pouco com elas.
   Domingo, tarde de sol, alguém toca a campainha.
Elisa abre a porta e em sua frente estava padre Levi.
Com sua camisa branca, que parecia ser sempre a mesma.
Sandálias nos pés, cabelos molhados, bem penteados parecendo ter acabado de tomar banho.
Elisa sentia o seu coração acelerado, parecia pular do peito.
Tenta se acalmar e estende a mão para cumprimenta-lo.
- Oi padre? Que surpresa? O que o trouxe aqui?
- Oi Elisa, tudo bem? Vim fazer uma visita a você e a sua mãe.
- Como vocês estão?
Meio desajeitada e ainda surpresa pela visita, Elisa responde.
-  Estamos bem padre.
- Minha mãe está descansando. Tomou seu remédio e deitou-se.
- Entre, por favor. Obrigada pela visita.
Padre Levi entra e senta-se a convite de Elisa em um sofá num canto da sala. E ali, entre um diálogo e outro com Elisa deixa escapar que sentiu sua falta na Igreja.
E acrescenta. Tomei a liberdade de vir até sua casa para fazer-lhe uma visita e também saber o motivo de sua ausência aos domingos à missa.
Sem encará-lo, Elisa fala que deixou de ir à missa porque tinha de fazer companhia a mãe que há alguns dias não vinha sentindo-se muito bem.
Mas, em seu íntimo, sabia que não era esse o motivo.
  Por alguns minutos ficam conversando na sala. Padre Levi sentado no sofá e Elisa em uma cadeira próximo a porta do corredor.
Dali dava para olhar o quarto e via a cama onde sua mãe estava deitada. Dona Joana estava ouvindo toda a conversa. Logo se levanta e vai até a sala para cumprimentar o padre Levi.
Afinal de contas ele sempre foi muito querido e amado por todos da cidade. Sempre atencioso e solícito, padre Levi se oferece a ajudá-la em alguma coisa que ela necessitasse.
Elisa agradece a visita e as palavras de padre Levi.
Mal ele vira ás costas para ir embora ela ajoelha-se ali na sala mesmo e pede perdão a Deus por ter pensado tamanha coisa dele.
   No primeiro próximo domingo Elisa vai à missa tentar tirar da sua cabeça tudo o que estava pensando.
  E os dias passam lentamente, cada um mais longo que o outro e padre Levi sentindo seu coração arder de desejos por Elisa.
Quem poderia explicar o que estava se passando no coração de padre Levi?
Sentindo-se ansioso, sabia de certo que era chegada a hora de abandonar a batina. E pensa com seus botões. Sou um pecador, estou me tornando um fraco, um sonhador cheio de ilusões.
Ou quem sabe um homem forte, com o coração transbordando de amor por uma jovem que não me enxerga como homem e sim me enxerga simplesmente como um servo de Deus.
Tenho que tomar uma séria decisão em minha vida. Não posso continuar como estou.
Se eu continuar por aqui tenho que deixar de ser padre e confessar a ela o que sinto.
Se eu sair daqui meu coração levo-o comigo cheio de paixão e amor.
Tenho que decidir logo tudo o que fazer. Continuar assim é impossível. Tenho que tomar uma decisão para jamais me arrepender. Embora soubesse que seria uma decisão muito difícil, teria que fazê-la logo. Não poderia esperar mais.
  Durante aquela semana convocou os seus superiores e contou sobre sua decisão.
De antemão já comunicou que na próxima missa iria avisar aos fiéis que tanto confiavam nele.
Pela expressão nos rostos dos superiores já percebeu que eles não estavam entendo nada.
Por alguns minutos permaneceu calado, esperando que alguém lhe perguntasse alguma coisa.
    Depois de esperar e ninguém falar nada, apenas me olhavam, resolvi me explicar  porque deixaria de ser padre. Não me afastaria da Igreja. Cheguei ao ponto de chorar, só eu falava, mas eu sabia o que estava fazendo.
Quando parei de me explicar, apenas me falaram.
- A vida é feita de escolhas.
- Sentimos muito por isso, mas desejamos que seja muito feliz.


      

                                     Despedida do Padre Levi


    Domingo de sol, igreja cheia como todos os domingos.
Padre Levi no altar, dar bom dia a todos como sempre fez.
Antes de começar celebrar a missa, fala para os fiéis.
Peço que após a missa se possível todos fiquem aqui, pois tenho uma importante notícia para lhes dar.
Todos ficam curiosos para saber do que se tratava essa notícia, mas antes tinham de assistirem primeiro a missa.
E assim foi feito, quando terminou a missa ninguém saiu aguardando o que o padre Levi tinha para falar.
Logo começa ele a falar com um pouco de nervosismo.
   - Hoje celebrarei essa missa entre sorrisos e lágrimas.
Agradeço a presença e a confiança de todos vocês.
Esperando o entendimento de todos vocês, posso falar com certeza que aqui sou muito feliz. Aqui passei momentos inesquecíveis, adquiri experiência, construí amizades e aprendi muito com todos.
Depois de ouvir tantas confissões, hoje sou eu que me confesso a vocês.
Sem entenderem nada os fiéis ficam um olhando para o outro. Muitos falando baixinho tentando entender o que padre Levi queria dizer.
- Acalmem-se, e tentem me entender.
Padre Levi continua...
 - Estou hoje aqui confessando a todos vocês que me acompanham a tanto tempo que esta missa foi a última de muitas que celebrei.
- A partir de hoje não celebrarei mais nenhuma missa, nem farei casamentos, nem batizados, nem confissões. - Mas continuarei sendo amigo de todos vocês.
- Estou pronto a ajudar a quem precisar de mim.
- Estou quebrando meu voto, mas não estou deixando de amar a Deus.    
- Hoje deixo essa batina e a partir de agora serei um homem comum.
- A partir deste momento não sou mais um padre. - Continuarei amando a Deus e fazendo o bem a quem quer que seja.
- Estou abandonando a batina, não a Igreja.
- Em toda minha vida a igreja fez e continuará fazendo parte da minha vida.
- Fui fiel ao sacerdócio todos esses anos.
- Agora não posso continuar, pois o meu coração se apaixonou.
Abaixando a cabeça coloca a mão direita em seu peito esquerdo e respira fundo.
- Estou apaixonado por uma jovem que está aqui, mas não sabe da minha paixão por ela.
- E sem saber da sua resposta quando falar do meu sentimento por ela vou primeiro deixar a batina.
- Pois, após confessar o que sinto por ela não poderei mais ouvir confissões e perdoar os pecados em nome de Deus.
Pois a Igreja católica prega muito o amor e a família, mas não permite, ser padre e construir uma família. Não permite o homem casar e ser padre.
- Quero agir corretamente com a comunidade que tanto confiou em mim todos esses anos e com Deus o nosso pai maior que me ajudou tomar essa decisão. - E também me ajudou ser o homem que sou até agora.
 - Talvez esteja cometendo um pecado. Não sei.
- Mas seria pecado maior se confessasse meu amor para ela antes de deixar a batina.
- Uma coisa eu falo com certeza a todos vocês.
- Abracei o celibato por vontade própria. Eu escolhi ser um padre.
- Era minha vocação.
- Agora, estou deixando a batina sem saber se a jovem por quem estou fazendo isso se interessa por mim.
- Talvez ela nem me aceite quando com ela eu falar.
- Ainda vou passar alguns dias para declarar meu amor a ela.
- Mais uma vez repito.
- Estou deixando a batina, não a Igreja. 
Será um novo recomeço para minha vida.
- Estou deixando de ser padre, não de amar a Deus.
- Continuarei fazendo o bem, sem olhar a quem.
- A minha fé jamais diminuiu, continuarei um homem de muita fé e temente a Deus.
- Talvez o meu destino tenha completado meu ciclo aqui.
- Só tenho boas lembranças de tudo que fui e de tudo que eu fiz.
- Apenas sempre me perguntei.
- Por que um padre não pode casar-se?
- Se a Igreja prega tanto o amor e a família.
  Todos os fiéis estão atentos a cada palavra pronunciada por padre Levi.
- Espero que neste momento vocês sejam iluminados pelo Espírito Santo e que todos entendam o que eu estou sentindo.
- Agradeço a todos por todo o tempo em que estivemos juntos nesta paróquia.
  Alguns entendem e ficam sem palavras, outros apenas se olham parados.
  Após essa confissão do padre Levi aos fiéis os comentários na cidade se tornaram uma rotina.
  Todos os dias a todo instante se ouvia um falando com outro.
As mulheres se perguntando.
Quem será a moça que padre Levi se apaixonou?
Assim falavam uma para outra, será que é você ou será que sou eu?
Ninguém tinha a resposta.
  Ah! Mas Elisa ficou desconfiada que fosse ela, mas não quis manter isso em seu peito para não se arrepender como já havia feito.
Preferiu esperar e um dia ele falará e todos ficarão sabendo.
   Depois desta confissão, após alguns dias padre Levi deixou a Igreja e voltou para sua cidade natal.
   Com muito cuidado falou da sua paixão para sua mãe e também contou sobre a decisão de deixar de ser padre.
   Sua mãe como sempre, apoiando o filho apenas lhe falou.
-  Filho, desde que você nasceu sou uma mulher muito feliz.
- Quando você decidiu ser um padre eu apenas lhe dei a mão lhe abençoando e pedindo a Deus que lhe orientasse no que fosse melhor e que lhe fizesse feliz.
- Hoje, após tantos anos sendo um sacerdote você acaba deixando a batina por uma paixão ou por um grande amor.
- Só tenho a lhe dizer: seja muito feliz meu filho! Só você sabe o que você sente.
- Ninguém pode sentir o que você está sentindo.
- Sei que você não está deixando de amar a Deus, está simplesmente sentido um amor diferente por uma mulher.
- E lhe parabenizo por saber decidir entre continuar ou parar.
- Deixou de celebrar missas, antes mesmo de saber se esta mulher por quem se apaixonou se interessa por você. 
- Deus que lhe dê direção em todos os seus caminhos. E sempre peço que Deus renove cada dia da sua vida.
- Seu coração aprendeu distingui os sentimentos, gostar, amar e adorar. Eu sei disso, pois o conheço muito bem.
   Levi ouve cada palavra de sua mãe com muito carinho e atenção. Sabe de certo tudo o que sua mãe está lhe desejando.
Por fim abraça a mãe e beija-lhe o rosto e com muita gratidão fala olhando em seus olhos.
- Mãe! Amor sincero e verdadeiro como o seu eu só tenho do meu Deus.
- Agradeço a Deus e você mãe querida!
Cada dia tudo o que sou e tudo o que tenho.
- Com todo esse amor verdadeiro serei sempre forte para superar todos os obstáculos que eu tiver que ainda encontrar em meu caminho.
- Obrigado mãe! Por tudo o que fez  e faz por mim.
- Sou o que sou pelo seu amor.
E chorando, mãe e filho se abraçam e deixam que as lágrimas se misturem.   
  Á noite sozinho em seu quarto na janela pensativo e certo da sua decisão.
Falando consigo mesmo, só ele ouvia sua própria voz.
  E o sono toma conta de mim. Já não domino meus olhos abertos. Meu corpo pede para deitar.
Não, não estou cansado. Há tempo estou a observar a lua e as estrelas iluminando o céu. Céu lindo de um azul intenso e admirável.
E observando tanta beleza da noite, tento dominar meu sono.
Em meio a tanta beleza, sinto que quando se ama tudo tem sentido.
Até parece que olhando o céu iluminado de estrelas é que entendo mais o que é o amor.
  Amor assim, nunca sentido nem imaginado.
Entendo que cada dia é para ser vivido intensamente.
Mesmo que seja sorrindo, ou chorando. Mas o coração tem que estar amando.
  E agora estou sentindo um vento forte balançar o meu corpo e os meus olhos enchem-se de poeira.
Sento-me em minha cama a janela ainda está aberta.
Logo vejo as nuvens cobrindo a lua e as estrelas.
Como num passe de mágica tudo escurece e tudo se esconde e um silêncio profundo se fez.
E num piscar de olhos, desperto e vejo a noite dando lugar ao dia.
A lua dando lugar ao sol.
O amanhecer vem anunciar a beleza de mais um dia.
Tudo continua lindo. As estrelas, a lua, à noite, o vento, o lindo sol anunciando o amanhecer, tudo me faz sonhar e acreditar que, nada teria sentido se tudo isso não existisse.
  A noite passou, outro dia chegou. Será que adormeci e não percebi?
  Mas meus olhos continuam fixos em tanta beleza.
Beleza que não tem fim. E o meu coração preenche o meu peito de um imenso amor. Amor que estremece o meu corpo, amor que me faz sentir flutuando, como se estivesse nas nuvens.
  Entre o nascente e o poente. Entre  o dia e a noite.
Entenda como quiser. Mas quem não ama não sabe o que é viver.
  Pela fresta da janela do meu quarto, uma réstia de sol vem lembrar-me que eu não deva esquecê-la.
 Como poderia esquecer-lhe se quando acordo meu primeiro pensamento é você?
Entendo que cada dia é para ser vivido. E meu coração só estar aonde eu quero que ele esteja.
  Despertando deste sonho acordado, Levi sai do seu quarto vai tomar um banho e volta a realidade.
Começa escrever uma carta para Elisa, mas acaba guardando essa carta na gaveta.
Acha melhor falar tudo que sente por ela pessoalmente.
  No dia seguinte escreve outra carta, amassa o papel e deixa na gaveta, não tem coragem de enviar.
  E assim, seus dias estão passando e Levi vai colocando no papel tudo que quer falar para a mulher amada. Mas vai guardando essas palavras no papel e no coração.
  Passados dois meses, conversa com a mãe que precisa ir falar com Elisa.
  Não pode perder mais tempo. É chegada a hora.
Seu coração pede por isso, necessita desabafar tudo que sente para mulher amada.  Não pode esperar mais.
Seu coração está transbordando de amor, de desejo e ansiedade.
  Muitas cartas escritas e não enviadas, apenas escreve e as guarda. Perdeu a conta de quantas cartas já escreveu.
Quem sabe um dia entregará todas elas para Elisa.
Se sua resposta for negativa fará isso com muita tristeza.
Mas, se sua resposta for positiva, então terá tempo para entregá-las e junto a Elisa repetir tudo o que está escrito olhando em seus olhos.
Em meio a tanta ansiedade olha pela vidraça e percebe que lá fora cai um terrível temporal. Debruçado ao peitoral da janela olha a chuva com vendaval, trovões fortes e relâmpagos cruzando o céu. 
Essas imagens fazem Levi lembrar-se da primeira vez que viu Elisa encostada na cerca do Convento.
Não imaginava ele que um dia seu coração se  apaixonaria por ela.




                                                         Confissão


     Manhã do dia vinte e quatro do mês de Dezembro de 1975, sol anunciando o amanhecer, alguém toca a campainha da casa de Elisa.
- Quem será a esta hora? Meio sonolenta ainda Elisa vai até a porta.
Não abre, apenas pergunta.
- Quem é?
- Sou eu Levi.
Ao ouvir aquela voz, logo Elisa reconheceu e um arrepio tomou conta de todo o seu corpo.
- Será ele? Na dúvida e com uma certeza abre a porta e vê Levi ali em sua frente.
- Bom dia Elisa! Levi fala já com a mão aberta para cumprimentá-la.
- Bom dia! Ainda meio sem jeito Elisa o cumprimenta com um aperto de mão e o convida para entrar.
   Ainda preparando o café da manhã e entre várias perguntas a mãe de Elisa o convida para sentar.
- O que houve? Vai voltar celebrar missa? Veio morar aqui outra vez? Ou veio atrás da mulher que fez você deixar de ser padre?
Seu coração ainda está apaixonado?
Entre tantas perguntas, apenas Levi responde uma.
- Sim, vim me declarar para a mulher que um dia se tornará minha esposa. Pois o meu coração não se cansa de amá-la.
Ao ouvir essa resposta Elisa abaixa a cabeça evitando assim olhar nos olhos de Levi.
- Sou eu ou é muita pretensão minha? Pensa Elisa ainda de cabeça baixa.
   O sol brilha lá fora e Levi convida Elisa para ir até a praça com ele.


  Elisa e Levi saem e logo sentam no banco da praça em frente à Igreja matriz, onde ele tantas missas já celebrou.
Logo, segura as mãos frias de Elisa com carinho e começa falar olhando em seus olhos que estavam meio assustados. 
- Eu tenho a certeza de que a amo desde a primeira vez que a vi.
Em meio a um grande temporal você estava encostada a grade que cercava o convento. Lembro-me como se fosse hoje. Como se fosse agora.
Você estava com as roupas e cabelos molhados. Eu olhando da janela vi seu lindo rosto. Então daquele dia em diante não deixei de pensar em você.
Hoje posso dizer que me apaixonei a primeira vista.
Não sei se você acredita em amor a primeira vista.
Mas foi assim que aconteceu. Olhando você de longe, o seu lindo rosto desde aquele dia jamais saiu da minha memória. Tentei fugir de mim mesmo para tentar lhe esquecer, mas a sua imagem ficou tatuada em mim.
  Sabe menina! Eu quero tanto poder lhe falar do amor que sinto por você, mesmo sabendo que não vai acreditar.
Mas, cada vez que eu a vejo só aumenta a minha paixão, esse fogo que me queima, corpo, alma e coração.
Às vezes chego até pensar que meu pobre coração já não vai mais suportar o calor dessa paixão.
Sabe, cada vez que eu a vejo não posso me controlar.
A vontade que eu tenho é de correr e lhe abraçar e poder gritar ao mundo que é com você que eu quero casar.
Fecho os olhos, fico só imaginando, parece até que lhe vejo toda hora em minha frente passando. Antes sabia que esse amor era proibido, tinha que lhe vê só como amiga.
Tive que renunciar ao meu juramento e a minha vocação para poder lhe amar.
Não podia mais aguentar e agora estou aqui a me declarar.
Agora estou aqui frente a frente, querendo saber o que você sente depois que lhe falar de mim e do meu amor. Por favor, fale comigo.
Quero acreditar que você também pensa em mim.
Vamos viver o momento e lutarmos contra o tempo.
Não vamos perder tempo. O tempo perdido não voltará. Um dia você poderá me amar.
Agora neste momento quero lhe falar.
Quer comigo casar?
  Elisa sentia o olhar de Levi triste, mas cheio de esperanças quando falava olhando nos olhos dela.
  Depois de tanto falar, Levi se cala por um instante e espera que Elisa pronuncie ao menos uma palavra.
  Até então Elisa permanecia calada e imóvel.
Só ouvia com muita atenção a tudo que Levi tinha para lhe falar. Atônita, depois de tudo que ouviu, acreditava em cada palavra pronunciada por ele.
Pois desistir de ser padre por ela, é porque a ama de verdade.
Quando Elisa segurou a mão de Levi, ele esperava que ela fosse falar muitas coisas. Mas apenas uma frase foi pronunciada por ela.
- Vou pensar em tudo que você me falou e amanhã voltaremos a conversar aqui neste mesmo lugar e horário. Sem falar mais nada beija as mãos de Levi, vira às costas e sai sem olhar para trás.
Só ela sabia como estava o seu coração naquele momento, quase não cabia em seu peito. Seu corpo tremia todo, quase não conseguindo parar em pé. Devagar vira às costas para Levi e sai sem olhar para trás.
  Ao vê Elisa sair daquele jeito, Levi leva as mãos ao rosto tentando entender o motivo dela tê-lo deixado assim, tão rápido.
Seu coração começou bater muito forte.
Naquele instante sentiu vontade de sair correndo atrás dela.
Mas achou melhor entrar na Igreja, assim ajoelhou-se e começou rezar com muito fervor como sempre fez. Parecia que estava vivendo um sonho e logo percebeu que a Igreja estava cheia de fiéis, pois há poucos minutos iniciaria a missa da manhã.
  Como era véspera de natal a Igreja e toda a praça da cidade estava cheia de luzes e enfeites de natal. Durante alguns minutos ficou rezando, mas logo as lembranças de quando estava ali celebrando as missas, começaram encher sua mente. Com tantas lembranças pensava consigo mesmo. Sem arrependimentos estava certo do que queria e do que fez.
E ali ficou para assistir a missa e conversar com alguns amigos e conhecidos.
  Levi deixou de ser padre mais não deixou de amar a Deus.
Seu objetivo agora é de construir uma família. E tem certeza do amor que sente por Elisa. Já a conhece há alguns anos e sabe que pouco a pouco ela irá amá-lo também.
Levi estava certo de que já havia cumprido a sua missão.
Quando renunciou sabia que não era o fim de tudo. Mas o começo de uma nova vida.
  A noite de natal Elisa passou com sua família, mas o seu pensamento estava só nas palavras de Levi. Já ao amanhecer, sozinha em seu quarto, Elisa pensa em cada palavra linda que ouviu.
Nunca imaginou alguém lhe falar tantas palavras de amor.
Seu coração ficou meio balançado por Levi. Antes só o enxergava como padre. Agora poderia pensar nele como homem.
Um homem com um coração imenso e cheio de amor. E pensando em tudo que ouviu levanta-se, abre a janela do quarto e logo vê os primeiros raios de sol através da cortina.   
O dia amanheceu com muito mais brilho no horizonte.
   Será que seus olhos estavam enxergando o que nunca havia visto? Talvez, nunca houvesse prestado atenção ao amanhecer. Agora o brilho dos primeiros raios de sol iluminando seus olhos que agora pareciam um farol.
  Depois de uma noite cheia de pensamentos, decide que vai falar com Levi, conforme o prometido. Afinal de contas ela não tem nada a perder.
  Se Levi a ama tanto conforme se declarou, por que não fazer de tudo para amá-lo também?
  E neste lindo dia de sol, Elisa veste sua melhor roupa.
Um vestido azul cor do céu, mangas de renda. Uma sandália de salto, os cabelos bem arrumados, um leve brilho nos lábios de modo a ficar mais bonita e vai ao encontro de Levi.
  Levi havia passado uma noite de um lado para outro na praça da matriz. Praça toda iluminada, muitas pessoas a passear e prestar atenção aos enfeites de natal que transformaram a praça num cenário jamais visto por todos.
Levi imaginava passear com Elisa naquela praça de mãos dadas, mas estava ansioso por sua resposta. Amanhece o dia e Levi conta os minutos para Elisa chegar conforme o combinado.
 Sentado no banco da praça, quando vê Elisa se aproximando, levanta-se e vai ao seu encontro.
Com as mãos trêmulas a cumprimenta com um leve beijo em sua testa.
E ficam frente a frente sem palavras. Olhando dentro dos olhos um do outro.
Levi sente seu corpo tremer. E sem perder mais tempo fala com voz um tanto embargada pela emoção.
- Cada vez que eu a vejo só aumenta minha paixão.
- Sinto que um fogo me queima, meu corpo, minha alma e o meu coração.
Imediatamente, falando isso, segura o queixo de Elisa e cola sua boca na dela.
Beija-a loucamente, deixando-a sem defesa. Era o primeiro beijo de Elisa e ela ficou sem defesa entre os braços fortes de Levi.
Depois desse longo beijo, Levi sente que Elisa fica sem jeito e ela continua imóvel. Naquele instante, olhando nos olhos dela com muito carinho, fala baixinho só para ela ouvir.
- Sabe menina! Cada vez que eu a vejo, não posso me controlar, a vontade que eu tenho é de correr e lhe abraçar. E poder gritar ao mundo que é com você que eu quero casar.
- Antes eu sabia que esse amor era proibido, nos víamos só como amigos. Eu não sabia até quando ia aguentar.
- Agora estou aqui a sua frente a me declarar.
O silêncio de Elisa fez Levi falar mais alto.
- Por favor, fale comigo, nem que seja como amigo, eu quero ouvir a sua voz.
  Elisa acaricia o rosto de Levi e pela primeira vez naquela manhã de sol fala carinhosamente olhando nos olhos dele.
- Agora estou aqui lhe olhando frente a frente.
Querendo sentir o que você sente, vamos viver o momento e lutarmos contra o tempo.
  Por um instante Levi abaixa a cabeça tentando acreditar no que está ouvindo.
Segura as mãos de Elisa e sem pensar fala baixinho. Quase a sussurrar.
- Acho que estou sonhando, mas estou com meus olhos abertos.
- Estou lhe enxergando. - Sinto a sua pele é verdade, estou perto de você.
- Você é tudo que sonhei tudo que eu quero e imaginei.
Após tantas palavras lindas, saem abraçados a passear pela praça, observando as andorinhas voando na torre da Igreja até pareciam dizer-lhes. “Criem asas e voem, vivam esse amor, a vida é feita para amar, não percam tempo.
Corram! Voem! “Amem-se”.
  Por alguns minutos andam sem falar nada até Elisa quebrar o silêncio. Sentindo um aperto na garganta depois de ouvir tantas palavras lindas. Realmente Elisa estava muito emocionada.
Com o coração cheio de emoção Elisa abre um largo sorriso e fala sem timidez.
- De hoje em diante não quero ficar um dia sem você.
Não quero ficar nenhum dia sem lhe vê.
- Não diga mais nada, pede Levi. E com muito carinho a abraça forte.
   Muito felizes saem abraçados e beijam-se sem se importarem com as pessoas que por ali passavam.
   Ao chegarem frente à casa de Elisa, Levi fica ali parado olhando-a abrir a porta e entrar. Ao subir no terraço Elisa ainda ver Levi parado na calçada por um bom tempo.
  Ao ver a filha ali encostada na grade do terraço olhando Levi desaparecer na esquina, sua mãe acaricia seus cabelos e fala.
- Filha, siga o seu coração. Não tenha dúvidas. Não tenha medo.
- Oi mãe, você me assustou. - A senhora chegou tão de mansinho que eu nem havia percebido sua presença.
  Até então, Elisa não tinha falado nada para sua mãe.
Mas como se fala, mãe tem “sexto” sentido. Ou melhor, coração de mãe não se engana. Ela Já havia percebido que a filha foi a escolhida por Levi. E ainda mais viu os dois beijando-se na porta de casa há pouco tempo.
Meio envergonhada Elisa sorri e abraça a mãe.
- Obrigada mãe, pelo conselho. Torça por mim.
- Ora filha, a sua felicidade é a minha.
- Por que não me contou antes? Faz tanto tempo que vocês se conhecem!
- É mãe. Faz tempo que nos conhecemos, mas só agora ele se declarou.
Enquanto era padre nunca percebi nada. Ele também nunca havia me comentado nada. Conteve-se e manteve sua calma e respeito até chegar a hora certa de se declarar a mim.
Apenas ouvia minhas confissões. Meus lamentos, meus desabafos.
Com toda sua inocência conta a mãe tudo conforme aconteceu.
Em seguida vai para o seu quarto e lá fica perdida em seus pensamentos.
O jeito como ele me olhava me fazia tremer,
Na minha adolescência, eu ficava sonhando com um homem maravilhoso que chegaria não sei de onde. Muitos olharam para mim, poucos se aproximaram, mas nunca ninguém chegou tão perto do meu sonho. Agora Levi chega para que eu deixe de sonhar e viver uma realidade. 
  Agora a decisão de Levi já fora tomada. Há dois meses havia deixado a batina. Foi o acontecimento inédito na cidade e em toda aquela região.
 Os fiéis sentiram muito a falta de padre Levi nas celebrações.
Mas por outro lado entendiam que mesmo tendo ele deixado de ser padre ele não deixou de amar a Deus. Diante de alguns comentários, muitos eram a favor de Levi e muitas vezes faziam entender a vontade e o desejo de cada um.
- Quem somos nós para julgar alguém? Não há imoralidade alguma no fato de deixar de ser padre para namorar e casar-se. Muitos na cidade pensavam assim.
   Por enquanto tinha muitas coisas em que ocupar seu espírito.
Logo iria casar-se e construir sua família.
Se pudesse, Levi conciliava o sacerdócio e o casamento.
Pois tanto amava tudo pela Igreja e pela comunidade como amava a mulher que logo seria sua esposa.
Por mais que se esforçasse, sua mente não conseguiria entender o motivo de porque quem celebra missa não pode construir sua família e não pode conciliar matrimônio com sacerdócio.
Se a Igreja prega muito a família como sendo o bem maior.
Por que um padre não pode casar-se? Porque um padre não pode construir sua família?
Ter seus filhos e continuar celebrando missas e fazendo o bem pela comunidade? Até que continuar fazendo o bem pela comunidade qualquer pessoa pode fazer. O homem só não pode ser padre e casar-se. Um padre pode fazer casamentos, mais ele mesmo sendo padre não pode ser casado.
O casamento é um sacramento proibido aos padres.
  Antes de se tornar um padre estuda-se teologia e isso é bem explicado para que ninguém se torne um padre sem saber dos verdadeiros ensinamentos.




                  Quem fez muitos casamentos hoje casa-se     
               

    Março de 1976, Levi acaricia os lindos cabelos de Elisa. Sensações tomando conta dos dois apaixonados.
Um olhando nos olhos do outro. Pareciam estarem em outro mundo distante dali. Não ouviam, nem viam nada ao seu redor. Apenas os dois se enxergavam. Estavam totalmente em transe.
Numa manhã fria, nuvens cobrindo o céu, nenhum sinal de raio de sol, Elisa e Levi trocam as alianças na presença de alguns convidados. Não poderia deixar de estar ali seu grande amigo o Padre Enrico, acompanhando esse momento antes nunca imaginado por ele. Desejando-lhe felicidades e abençoando a decisão do amigo. Sabia ele de certo que o amor verdadeiro é:
“O sentimento sincero que nos ensina cada vez mais que o amor é o maior sentimento que nos fortalece.”
Levi, emocionado, fala segurando as mãos da mulher amada, olhando dentro dos seus olhos.
-Mulher linda e maravilhosa que tu és. Preenche todo o meu ser, inundando o meu espírito quebrado e carente de ti, de todo afeto e carinho que podes me proporcionar. Estou feliz e sei que também estás.
-Tua força e teu verdadeiro amor irão me dirigir e me darão as asas que eu preciso para voar.
  Elisa fechando os olhos, solta um suspiro ao ouvir a suave voz de Levi. Um soluço trás as lágrimas que teimam em molhar seu rosto.
    E agora, abrindo os olhos cheios de lágrimas de tanta emoção sente-se a mulher mais feliz e mais amada do mundo.
   Logo um sorriso se abre em seu rosto, olhando o brilho do lindo sorriso de Levi, agora seu esposo.
Neste momento Levi e Elisa estão imensamente felizes.
E em meio a tanta emoção e felicidade choram e beijam-se sem se preocuparem com a presença dos convidados.
    E misturando o sabor salgado de muitas lágrimas sentem o doce mel dos seus lábios colados.
   De repente, como num sonho despertam nos braços um do outro. A mistura das lágrimas.
   Os corpos tremendo de desejos. Os soluços sufocando as palavras. Emoção e desejo misturando-se sem querer entender o porquê.
   Corações acelerados enquanto se abraçam e se beijam, tentando recuperar o tempo perdido.
Momentos de emoções, não falam, não ouvem, não enxergam.
 Apenas sentem. Toques, desejos e as emoções se completam. Porque deixar passar tanto tempo?
   A influência da claridade da lua e do brilho das estrelas. Querendo ser amados. Desejos a flor da pele.
A voz, um sussurro embargado pela emoção.
Entre abraços e beijos, tudo continua lindo. Tudo parecia que nunca teria fim.
   A noite passa, outro dia chega.
E os corações preenchiam os seus peitos de um imenso amor.
   Levi levanta Elisa na altura em que seus braços fortes lhe permitem.
E entre sorrisos de tanta felicidade ele grita o mais alto que lhe convém.
-Sou forte feito uma tempestade.
-Sou quente feito o sol do meio dia
-Sou claro feito uma noite de lua cheia.
-Ah! Mas quando estou em seus braços minha querida!  
-Sou frágil feito um pássaro que gorjeia.
  Elisa o abraça forte, beija-lhe a sua nuca e lhe fala baixinho.
Meu coração foi sempre seu meu amor.
Levi responde.
- E você sempre esteve dentro do meu. -Você nasceu para mim e eu nasci para você.
-Ficaremos juntos até quando Deus nos permitir.
Nesse clima de muito amor e paixão Elisa começa lembrar que por várias vezes já tivera  sonhos assim antes. Mas agora sabe e sente que tudo é real, está nos braços do homem que a ama de verdade.
  De agora em diante tudo não será mais sonhos. Os sonhos ficarão no passado, ou só em sua mente.


                                                          Os filhos


   Mesmo que Elisa se sentisse acanhada para falar palavras bonitas, Levi não se incomodava. Ele estava sempre pronto e preparado para surpreendê-la cada dia com muito amor e dedicação. A ponto de não passar um só dia sem que a elogiasse e a cobrisse de carinho.
  Após alguns anos de casados, cada dia que se passava parecia ser sempre tão bom quanto o dia em que Levi se declarou para ela.
  Após o nascimento do seu primeiro filho Arthur, Levi admirava tanto a esposa que não cabia em si de tanta felicidade.
Segurando suas mãos a beija e fala olhando em seus olhos.
  - A família que tanto sonhei construir iniciou-se a partir do momento que você aceitou o meu amor. Agora o nosso filho é a continuação deste laço que nos uniu.
   Em um curto diálogo Levi continua.
- Minha querida! Olhando para você, sinto-me o homem mais feliz deste universo.
- Agora mais ainda depois de ter trazido a esse mundo essa jóia tão preciosa. Só poderia me sentir mesmo o maior felizardo.
Posso com certeza falar isso.
Sou um homem feliz, sou um pai feliz e por fim, sou um esposo muito feliz.
Elisa nem piscava olhando para Levi falando tanta coisa sem parar.
- Como posso falar alguma coisa se você já falou tudo?
Elisa fez essa pergunta ao esposo e olhando em seus olhos já sabia a resposta.
- Não minha querida! Você nem precisa falar nada. Eu falo por nós dois. O importante para mim é você aceitar que eu a ame.
E suas atitudes demonstrarem o quanto você me ama também.
- E nesse clima, acabam se amando no tapete da sala. Rolando ali, esquecendo tudo que existe a sua volta. Naquele instante só queriam se amar. E no silêncio Elisa completamente feliz ao lado do esposo fala o quanto ele lhe faz bem.
O que poderia ela querer mais? Um esposo apaixonado e um lindo filho, fruto deste grande amor.
    Em clima de muito amor e respeito algum tempo depois tiveram mais dois filhos. Jonas e Anne.




                                                      A doença


   Nada é eterno. Pode ser duradouro, mas eterno nunca.
Como já sabemos, a vida é uma caixinha de surpresas, nada fica bom para sempre como desejamos.
Tudo andava muito bem até Elisa descobrir que tinha uma terrível doença, e devido a isso mudou muito rápido a vida de todos.
A pior doença que você pode imaginar.
Em uma consulta ao seu dermatologista, Elisa resolve tirar uma pinta em sua perna e mandar para exame.
Após cinco dias, recebe o resultado e descobre que está com câncer de pele. Ler melhor o diagnóstico e fica sem chão.
Melanoma maligno de nível IV Clark Breslow 3.
De imediato cuidou logo de fazer todos os exames necessários.
Pior de tudo foi descobrir com esses exames que o melanoma não era só aquela simples pinta em sua perna, mas infelizmente ouviu a palavra metástase.
O câncer já estava em seu pulmão.
Sabendo disso naquele momento seu mundo desmoronou.
Mesmo assim sentiu que a força do amor poderia ser maior que tudo.
Procuraram os melhores médicos. Imediatamente Elisa começa fazer o tratamento para o câncer.
Mesmo sabendo da gravidade da doença trazia sempre um lindo sorriso em seu rosto.
Um sorriso lindo que sempre iluminava o olhar de Levi.
Ah! Como Levi amava aquele sorriso!
  Internação, muita falta de ar, exames e mais exames.
Mas, mesmo assim sua força era de tamanha imensidão que lhe fazia viver sem reclamar das dores que sentia e da terrível falta de ar.
Tratamento duro, rigoroso, quimioterapia.
   Um dos piores momentos para Elisa foi quando sentiu seu lindo cabelo começar cair. Logo estava ela sem cabelo nenhum.
Levi a elogiava a todo o momento.
-Você é a mulher mais linda deste mundo.
Cada dia a amo mais. Cada dia a quero mais. Você é meu tudo.
O sincero amor de Levi a fortalecia.
  Elisa tinha certeza de que o esposo a amava muito e fazia de tudo para vê-la feliz.
  Levi enfrentava o sofrimento da esposa, sabendo que tinha que continuar sem saber o tempo de parar.
Idas e vindas ao hospital e a vida de Elisa estava por um fio, ou melhor, por um sopro.
Sabia ela que o tempo que lhe restava estava sendo preenchido por lindas lembranças. Lembranças essas que lhe faziam ter forças para continuar viva enquanto seu coração palpitasse e seu pulmão a deixasse respirar mesmo lentamente com a ajuda de um balão de oxigênio.
  Vivemos numa incerteza, mas sabendo que essas incertezas é que nos fazem continuar.
   Levi escondia uma grande tristeza nos olhos, evitando que Elisa e seus filhos percebessem. .
  Cada dia se tornava mais difícil, tudo caminhando para o final.
  Quimioterapia, convulsões inesperadas iam deixando sua amada muito fraca agora já estava há mais de quinze dias em um leito de um hospital.
Na sua grande fraqueza Elisa ainda falava coisas bonitas para animar seu esposo. Segurando a mão dele e olhando em seus olhos falava com voz fraca e trêmula.
- A vida acontece nos sonhos do agora... nos braços do nosso tempo que passou... nos pingos da chuva que cai lá fora e sinto lavar minha alma... toda nossa vida... no sol que já me trouxe muita energia... e agora revigora a sua vida... e a vida dos nossos filhos...
E apertando ainda mais forte a mão de Levi, olhando fixamente nos olhos dele, deixa escorrer uma lágrima em seu rosto e... a vida começa aqui... meu amor... continue firme e forte como sempre foi.
- Você é o seu começo. -E eu sou o meu fim.   Fomos feitos um para o outro. Mas Deus fez o meu fim muito em nosso começo.
   Levi inclina-se, beija os lábios de Elisa e acaricia seu rosto que já estava muito pálido.
   Neste momento a angústia toma conta do peito dele. Seu coração já não queria entender o que estava acontecendo.
Sabia de certo que sem a esposa a vida teria um novo recomeço. Mas, ali naquele instante de dor a vida fluía de dentro para fora.
Seu peito estava prestes a explodir de tristeza, angústia e ansiedade.
   Ali mesmo sentia que estava prestes ao começo do fim de todos os seus sonhos.
Sua amada, seu grande amor, estava a se despedir deste mundo. O seu sofrimento estava chegando ao fim. 
   Cada minuto ao lado de sua amada parecia momentos de eterna despedida.
Olhando fixamente no rosto lindo de Elisa tinha vontade de tirá-la daquele leito de hospital e levá-la consigo.
  Infelizmente, agora sentia o olhar dela parado e sem brilho. As mãos sem força não apertavam mais com carinho a sua mão.
Suas palavras já não tinham mais sentido, sem nexo, não se entendia nada mais do que ela falava.
Apenas balbuciava algumas palavras baixinhas.
  Por um instante, tudo se calou, Elisa não respirava mais.
- Oh! Minha querida, meu amor!
- Elisa! Elisa! Elisa!
- Não! Não! Não pode me deixar. Não, não vá.
Levi abraçava o corpo da esposa agora já sem vida.
A enfermeira que já estava ali presenciando o sofrimento de Levi tenta consolá-lo. 
O sofrimento estava sendo perceptível em seu rosto. Lágrimas que teimavam em molhar sua face, soluços presos na garganta.
Naquele instante sua amada havia se despedido deste mundo.
Tudo parecia um sonho. As lágrimas banhavam seu rosto. Uma mão socorria as lágrimas e outra acariciava o rosto de sua amada que já não mais sentia seus carinhos.

         


                                                              A viuvez


     O funeral de Elisa foi realizado em uma manhã de sol de domingo.
Quando os sinos da Igreja tocavam anunciando que o corpo estava chegando para fazerem as orações de despedida.
Levi com seu coração partido tentava ser forte ali frente ao corpo da esposa, seu grande Amor.
Mesmo assim, procurando forças sem saber onde encontrar e com a voz embargada começava falar de modo que todos ouvissem.
Meu sorriso entristeceu
Minha voz emudeceu.
Meu abraço esfriou.
Hoje, após 16 anos de muito amor, muita harmonia, e de uma união feliz, vejo-me frente a um corpo inerte que não pode mais me ouvir, não pode mais sentir meus carinhos, meus afagos.
Mas estou falando para todos ouvirem e saberem o quão fui feliz ao seu lado.
Agora estou com meu coração chorando ao ver partir quem me fez tão feliz durante todos esses anos.
Ou melhor, posso falar com certeza e muita dor, um pedaço de mim está me deixando. Uma dor imensa toma conta de todo o meu ser. Não sei como vou suportar.
Uma tempestade invadiu o meu peito e vai demorar passar.
Ou quem sabe quando irá passar?
Os melhores anos de minha vida foram os que eu estive ao seu lado minha querida, meu amor.
Eu não entendi, porque nunca consegui uma resposta, se tudo que eu sempre quis foi você. Será que eu adormeci e a perdi?
E se adormeci logo acordarei com você aos meus braços.
Agora, neste momento sinto que logo estarei sem sua presença, sem sua companhia.
Estará afastada dos meus abraços, longe dos meus beijos, mas muito perto dos meus sentimentos e dos meus pensamentos.
Do meu amor jamais se afastará. Pois o nosso amor fim nunca terá.
O nosso amor é tão grande, tão grande, que não leva apenas a nossa vida, mas sim, leva muito mais que a nossa vida inteira.
  Com a voz embargada ainda, as lágrimas presas na garganta sufocando sua dor.
Mas, com sua grande experiência ainda continuava.
- Sou forte e você continuará me fortalecendo cada dia mais.
-  Continuarei com sua missão de mãe.
-  Cuidarei dos nossos filhos com todo zelo e amor como você sempre fez.
  E abraçado aos filhos deixa que suas lágrimas escorram pelo rosto soltando um soluço que estava preso na garganta.
  Todos emocionados, após a homenagem de despedida saem em uma caminhada seguindo o veículo que estava levando o corpo.
  O cemitério ficava há uns cinco quarteirões da Igreja. Levi e os filhos seguiam andando lentamente logo atrás do veículo.
  De cabeça baixa parecia perdido em seus pensamentos.
Afinal de contas ele tinha que está ali.
   Querendo ou não tinha de ser forte e passar segurança para os filhos.
   Naquele instante, quando já estavam levando o corpo para colocá-lo no túmulo uma nuvem passa encobrindo o sol, deixando aquele momento sem brilho.
Como se o universo entendesse que o seu coração também estivesse com uma imensa penumbra.
  Apenas o som suave de uma gaita quebrava o silêncio que se fazia no momento em que desciam o caixão e aquela terra vermelha que jogavam para cobrir.
   Levi segurava a sua pequena Anne em seus braços. E por um instante ainda falava com voz embargada.
- Hoje, estou sepultando um pedaço de mim, a dona do meu coração estou deixando aqui para sempre...
  E parou não tendo forças para falar mais nada. Mais uma vez as lágrimas caiam molhando todo o seu rosto.
   Anne beijava o pai e limpava suas lágrimas com muito carinho.
Com toda sua inocência Anne falava baixinho.
­- Papai! Onde a mamãe está indo? Quando a mamãe vai voltar?
- Você me falou que ela foi viajar...
- Oi minha querida! Logo, o papai contará tudo sobre a sua mamãe e você entenderá ok?
- Vamos para casa descansar. Amanhã será outro dia meu anjo.
   Anne apoiou sua cabecinha no ombro do pai dando a impressão de que havia entendido o que ouviu. Os dois filhos maiores ao lado já entendiam que a mãe jamais voltaria para junto deles.
    Muitas flores enfeitando o túmulo deixando tudo colorido como Elisa gostava.
    Contudo Levi tinha que continuar firme e forte para cuidar dos filhos. Não podia ignorar a vida.
    Com o passar do tempo a dor da perda vai amenizando. Mas, com o tempo as lágrimas apenas diminuem. Nunca irão secar.
    Elisa foi uma mãe muito cuidadosa e zelosa com todos.
Sua ausência apagava todo aquele brilho que existia naquela casa.
   A fazenda que cuidava com muito carinho agora ficara nas mãos de Levi que já estava acostumado com os afazeres. Sim, pois logo que se casou com Elisa, Levi se tornou administrador de toda fazenda e tudo que ela se apossou após a morte de seu pai.
   Tudo o que Elisa mais apreciava na fazenda era os seus lindos cavalos. Quando montava e saia sem medo galopando por toda a redondeza.
   Muitas lembranças, dias de incertezas, noites de insônias e a imagem de Elisa não sai da memória de Levi. 
   Da janela do seu quarto Levi olha o nascer do sol e com essa linda imagem sente seu coração bater muito forte em seu peito.
  Por um instante fica a pensar consigo mesmo.  Vou buscar junto a natureza a força que preciso para tentar te esquecer.
Ou apenas para amenizar a minha dor.
   Estou aqui sozinho, bem longe de você, meu coração reclama, querendo só lhe vê.
E hoje me pergunto o que será de mim? Olhando o infinito, mas sei que vai ter fim.
O infinito é minha interrogação. Meu grito se perde na escuridão.
Quem sabe um dia alguém possa me ouvir. Quero me encontrar.
Quero acreditar que sozinho ninguém nunca estar.
A chuva cai lá fora, estou chorando agora.
Mas quem sabe o amanhã enxergarei a aurora.
Não quero mais chorar, pois de lágrimas já me banhei.
E quando o sol brilhar eu sei que tudo irá passar.





                                      Saudades e lembranças


   Noite de insônia, aflições, ansiedades e lembranças.
Deitado em sua cama virando-se de um lado para o outro.
Cama vazia sem a presença da mulher amada.
Lembranças de quando conheceu Elisa, do rosto lindo que nunca havia saído do seu pensamento. Lembra-se também da primeira vez que a beijou naquela praça onde imaginavam só existir os dois.
E a lembrança de quando fizeram amor pela primeira vez naquele celeiro da fazenda, onde se amaram tanto sem pensar no amanhã, achando que ali só existiam os dois. Apenas ouviam os sussurros e as batidas dos seus corações. As emoções a ponto de explodir o peito. Lembrava-se do gosto dos beijos de Elisa, dos seus olhos, da sua boca, da sua voz dizendo que o amava. Suas mãos leves e perfeitas acariciando o seu peito deixando-o perdido de desejo.
   Há! Quantas lindas lembranças! Isso é um pouco das muitas que virão a cada dia.
  Quantas noites em claro acompanhado das suas recordações.
Mais um dia, outro dia. Cada dia seria sempre um novo recomeço.
Ou um novo começo de tudo. Ou seria o começo de um fim? Muitas interrogações e nada tinha resposta.
Por mais doloroso que fosse, tinha que encarar a realidade. Não havia outro jeito.
Ainda que quisesse não poderia esquecê-la. Com os olhos fechados Levi falava como se Elisa estivesse lhe ouvindo.
- Na minha solidão estou na companhia das minhas lembranças que me consomem a alma.
Quanto ao tempo volto ao passado, cada minuto sentindo seu perfume em minha pele. Em tudo que toco parece que estou tocando em você. Ouço sua voz nitidamente em meus ouvidos. Seu olhar brilha em meu olhar refletido no espelho.
Sinto sua respiração como se estivesse me falando pertinho da minha boca a me beijar loucamente. E assim, passo os meus dias, sabendo e tendo a certeza de que nunca mais a terei em meus braços.
Saiba que, hoje, amanhã e sempre olharei dentro dos meus olhos e vendo os seus no reflexo do espelho olhando a minha própria imagem poderei falar a mim mesmo o quanto ainda a amo.
Não importa o tempo. Cada dia que passa ainda sinto-me incapaz de entender o que aconteceu. Porque Deus tirou você de mim tão cedo?
Vivo como se o ontem fosse hoje, se o amanhã fosse o agora e essa necessidade da sua presença me faz entender que sozinho ninguém é ninguém. Hoje apenas sou uma metade de um verdadeiro amor.
Na verdade a solidão me faz refletir que um dia eu fui um só.
E quando comecei a amá-la fomos dois em um.  
E hoje, na imensidão dos meus pensamentos com a companhia das minhas lembranças só posso dizer que não sou um só, mas sinto que ainda sou dois em um.
Um olhando dentro de mim e outro por fora em busca de alguém que me deixou, mas está presente em mim a todo instante.
Dentro do meu coração que busca uma única razão do motivo porque a perdi.
Respira fundo e continua...
   A todo o momento uma onda de emoções, uma mistura de desejos e anseios invade todo o meu ser.
De algum modo parece uma tempestade em uma mistura de cores que veio colorir meus sonhos.
Quisera você minha querida, estivesse junto a mim para testemunhar esse colorido que ilumina toda a minha visão.
Que em uma única cor transformada em luz vem em minha direção.
Com um forte abraço me segura.
E com esse abraço meu coração acelera quase a pular do peito.
   Nesse instante em silêncio ele ainda ficou e de olhos fechados ainda continuou...
Em nem um momento me afastei.
Pois, tudo o que eu queria era que estivesse aqui, bem mais perto de mim.
E de repente lentamente um leve deslizar de mãos em meu corpo.
Mãos quentes que suavemente me soltavam. Mas sem aquelas mãos senti meu corpo ferver.
Abri meus olhos e um lindo colorido eu vi afastando-se de mim.
Ah! Adoraria dizer que tudo isso é real, mas tudo não passa de um lindo sonho acordado.
E agora estou aqui sentindo o começo do fim de um sonho que nunca em toda minha existência terá fim. 
Pois os sonhos nunca podem acabar.
Se pararmos de sonhar, paramos de viver e deixamos de amar.
Agora estou aqui de olhos abertos, sentindo tudo outra vez.
As misturas de cores insistem em colorir meus sonhos.
 Por fim Levi sai a caminhar.  Mas seus pensamentos insistem em não o deixar.
  - Não me preparei para passar por essas coisas.
  - Ou melhor, não nos preparamos para isso.
Mas como saber o que o destino nos reserva?
Se soubéssemos, nos prepararíamos, e assim saberíamos superar essa terrível dor.
Sempre achamos que somos fortes.
Mas quando acontecem essas coisas nos tornamos fracos e impotentes. Pois não podemos lutar e fazer guerra contra um “Ser” tão forte e cheio de poder que é o único que nos dar a vida e pode nos tirar sem que saibamos quando e o por que.
Por isso posso falar com certeza que:
  - Não sou forte. Forte é o DEUS que vive em mim.
   Mas, mesmo assim por mais que me pergunte, jamais encontrarei as respostas para tantas perguntas. Tantos mistérios que existem em nossas vidas.
  Eternos, sei que não somos disso tenho certeza.
Mas o que me consola é saber que um dia poderemos nos encontrar.
E então seremos felizes outra vez. E se esse dia demorar?
Serei tão paciente para esperar? Estou feito um pássaro confiante no que vai me fortalecer cada dia.
Pois, um pássaro confia em suas asas, não nos galhos que eles pousam.
Eu confio na força que existe dentro de mim e não me deixa fraquejar.
Agora o que me resta é esperar “um dia”. E quando “esse dia” chegar então com certeza eu chorarei olhando em seus olhos outra vez.
   E com o rosto banhado em lágrimas Levi deixa seus pensamentos e volta à realidade ouvindo a voz de sua pequena Anne que acaba de acordar.
- Papai, você está chorando? Por quê?

Insiste em perguntar.
- Papai, você está chorando? Porquê?
Secando as lágrimas Levi abraça a filha.
- Minha pequena menina! Papai está chorando de saudades da mamãe que está no céu.
- Papai, a onde é o céu? Você não pode ir buscar a mamãe?
- Ou o céu é muito longe daqui?
- Filha, o céu é um lugar a onde todas as pessoas boas vão ficar.
- E o papai não pode ir lá buscar a mamãe.
- Papai! Nunca mais a mamãe vai voltar?
Eu também sinto saudade dela.
Anne continua com suas perguntas.
- Um dia o papai explica tudo meu amor, quando você crescer e entender essas coisas.
- Agora vamos tomar nosso café.
 - Está bom papai! - Vamos tomar nosso café. - Você faz igual mamãe fazia?
- Sim filha! O seu pão, papai vai passar na chapa, igual à mamãe fazia.
  Levi abraça Anne e tenta conter as lágrimas. Sai do quarto e vai até a cozinha preparar o café.
Alguns minutos depois os dois meninos Arthur e Jonas também acordam e tomam o café juntos.
  Só o tempo poderia dizer o quanto Levi iria sofrer com a falta da esposa.
  O espaço que Elisa deixou era preenchido com as lembranças e as saudades.
  A vida continua... E a sua fraqueza jamais deveria deixar os filhos perceberem.
Depois de conversar com os filhos e tentar fazê-los entender que sem a mãe seria difícil, mas tinham que continuar.
E unidos seriam fortes para esperar a dor passar e Deus seria o companheiro e a luz de todos.
A fé em Deus continuará fortalecendo o seu espírito e o seu corpo para suportar tanta dor.  Anne ainda continua com suas perguntas.
- Papai, quem é Deus? - Quem fez Deus? - Onde ele está?
Levi senta-se no sofá próximo a porta, segura a filha no colo, acaricia seus cabelos e fala com muito carinho e cuidado.
- Minha querida! - Ninguém fez Deus, ele sempre existiu.
- Deus está em todos os lugares, entre todos nós a todo o momento.
  Imagine você, um pai falando para uma filha de cinco aninhos sobre Deus.
  - Todos os dias o papai reza com você e seus irmãos, Deus está sempre ao nosso lado. Ele nos ajuda e nos fortalece.
 - Com o tempo você vai entendendo essas coisas e o papai cada dia vai lhe explicando melhor o quanto Deus nos ama e o quanto é grande o seu amor por todos nós.
- Deus é puro amor! Minha querida!
- Tá bom papai! - Mas o amor de Deus é infinito igual o seu amor? 
Levi coloca Anne em pé no chão e ajoelha-se para ficar mais ou menos na mesma altura dela. Segura suas mãozinhas, olha em seus olhos e lhe fala com muita emoção.
- Filha! Você ainda é uma criança para entender tudo isso, mas o papai a ama muito. Meu amor por você e por seus irmãos é eterno. 
Isso quer dizer filha, que meu amor nunca vai acabar.
Anne acaricia o pai e fala.
- Entendi papai, meu amor por você é muito grande também. Meu papai querido!
Levi se afasta da filha para tentar esconder as lágrimas.  




  E é assim que penso. Preste atenção e me der razão se você achar que eu a tenho.
 Quando você encontra a pessoa que lhe completa em tudo.
A pessoa que lhe dar as melhores coisas de sua vida.
  Quando você ama de verdade e é amado, você acha que tudo vai ser eterno.
Mas aí vem o destino ou sei lá o que e tira o que você mais ama e lhe deixa sem chão.
Você se sente impotente, sem forças para seguir e é obrigado engolir esse “NÃO” que a vida lhe oferece no meio do caminho.
  Nesse ato de impotência, querendo entender esse tal destino, essas coisas que a vida nos apronta e você sente uma imensa vontade de parar. E aí você pára para pensar. Não, eu não posso parar. Minha vida tem que continuar, afinal de contas tenho meus filhos que precisam de mim. Precisam dos meus cuidados e do meu amor.
   Agora meu amor terá que ser bem maior que antes.
Eu preciso me amar por mim mesmo e pelos meus filhos.
   Mesmo me sentindo triste, mesmo me sentindo aflito e angustiado tenho que manter o equilíbrio.
Aceitar perder não é fácil. Mas o equilíbrio nos faz entender que, aqui se perde aqui se ganha. A vida é um grande jogo. Você entra na vida para ganhar. Mas aí vem o destino e muda tudo o que você planejou.
Tudo o que você sonhou. Tudo o que você achava que ia ser e não foi.
E assim entendemos ou tentamos entender que: querer não é poder e nem conseguir. Querer é fazer tudo dar certo enquanto estiver dando certo. Poder é aceitar o certo que deu errado.
E conseguir é lutar para viver. Pois a vida é uma luta constante. Aprendendo cada dia, trazendo para dentro de nós mesmos a certeza de conseguir tudo outra vez.
Pois, só se vive por viver, sempre querendo saber o porquê.
Onde está a palavra que completa esse espaço que existe entre o viver e o morrer.
   Não, não pense que estou sentindo-me um revoltado.
Não, estou sentindo-me um derrotado.
  Perdi a batalha, perdi a guerra. Não fui forte o bastante para lutar contra o destino que me foi incumbido de carregar.
Talvez tenha o destino me reservado esse espaço entre a vida e a morte para quem sabe um dia eu possa encontrar a palavra que preencha perfeitamente esse espaço e assim meu coração transborde de uma coisa que não seja dor.
   No silêncio das noites, Levi sai caminhando tentando aliviar a dor que lhe sufoca o peito.
E conversando com suas lembranças que lhe fazem companhia.
  Hoje deixo apenas que a saudade permaneça em meu coração.
Elisa, minha amada, meu amor. Você se foi, acredito que no momento em que você me deixou completou seu ciclo aqui neste planeta.
Estou aqui na companhia das minhas lembranças. Enquanto o meu ciclo não completar vou vivendo ao lado dos nossos filhos.
Agradeço sempre, por você ter passado pela minha vida.
Mesmo que eu soubesse que o destino fosse me pregar essa peça faria tudo outra vez.
Como foram maravilhosos os dezesseis anos ao seu lado minha amada.
Minha querida! Amor precioso com lindas lembranças que hoje sinto jogado na minha memória, guardado em meu coração.
   Aos poucos a dor da morte e da ausência da esposa vai amenizando.
Levi tinha a consciência de que seus filhos mereciam ver o pai feliz. Sabia de certo que não podia continuar naquela tristeza, entregue a sua dor.
Em cada lágrima um soluço, uma vontade de ficar mais um instante.
E continuava conversando com suas lembranças.
  Nesse meu mundo distante de você, minha querida, meu amor. Mundo de fantasia, sorriso que não se ver alegria. Sentimento adormecido, e não sentido. Amor adormecido que jamais vai acordar sem a sua presença.
  Sem você... O verdadeiro sentir... Que não sinto. Choro que não vejo as lágrimas.
Palavras escritas e não sentidas... Lidas e não ouvidas.
...Loucuras de amor, sem sentir suas mãos, sem sentir seu calor.
Vontade de estar em seus braços, mas tudo acaba sem seus abraços.
   Agora tento me esconder na sombra da minha própria sombra. Aqui estou tentando juntar pedaços de mim.
E já sabia, tentei desistir não consegui.
   Mas mandarei meus beijos sempre pelo vento. Na esperança de que ele toque sua face.
Não, não era hora de me dizer adeus.
  Agora a todo instante vou lembrar-me de você. Meu coração aqui eu lhe entrego.
Não ligue se eu continuar chorar.
Para sempre eu vou lhe amar.
   Todas as noites antes de dormir, ainda olho seu retrato.
Em minha fantasia você sorrir para mim, linda como sempre foi.
  Estou sozinho agora. Bem longe de você. Meu coração reclama, querendo só lhe vê.
E hoje me pergunto o que será de mim?
O infinito é minha interrogação. Meu grito se perde na escuridão.
Mais uma vez adeus. Adeus que não quero entender.
   Mas, toda essa dor um dia irá passar.
O tempo transforma tudo o que foi em será.
  Quando você me disse adeus, senti algo me dizer que você não queria partir. Olhei para você, acariciei seu lindo rosto e com lágrimas nos olhos lhe falei mais uma vez “fica”, não vá meu amor, não me deixe.
No momento do terrível adeus, fiquei perdido, não sei como pude controlar minhas emoções. Como controlar o meu querer.
Querer aceitar seu adeus e querer lhe querer.
Aqui estou sem saber para onde o vento vai me levar.
Cedo ou tarde tinha que enfrentar, mesmo que o chão se abrisse, ou a ventania viesse para me levar.
Difícil aceitar seu adeus.
ADEUS... Incoerência nas palavras
ADEUS...  Influência nos sentidos
ADEUS... Permanência na alma
ADEUS... Desespero da esperança
ADEUS... Cinco letras que mexem com meus cinco sentidos.
ADEUS...
Quando lhe achei me encontrei.
Quando lhe conheci me apaixonei
Mas quando lhe perdi, não sabia onde eu estava. E agora sem você. Quem sou eu?
Quando clareia o dia, olho o nascer do sol que me traz a mais linda claridade.
Nada me encantava mais que seus olhos, sua face, seu sorriso, seu corpo que de longe está perto.
Ainda que eu não tivesse lágrimas, meus olhos chorariam por você.
Ainda que eu não sentisse saudades, meu corpo pediria a sua presença.
Ainda que eu não pudesse caminhar, meus passos iriam até você.
  Não me preparei para sentir tanta saudade.
Mas como saber o que o destino nos reserva?
  Ainda que eu não soubesse amar, meu coração explodiria de amor por você.
Ainda que... Nada me impediria de amar você.
   E esse destino cruel e traiçoeiro tirou você de mim.
Com sua ausência a saudade me consome. Aqueles momentos jamais voltarão.
Repito... E repetirei sempre.
Amei-te tanto, que mesmo que eu soubesse que o destino fosse me pregar essa peça, faria tudo outra vez.
Enquanto meu ciclo não completar vou vivendo na companhia das minhas lembranças. Deixo apenas que as saudades permaneçam em meu coração. Até o brilho dos seus olhos ainda trago na lembrança.
Seu sorriso clareou o meu mundo. Fez-me enxergar o amor de uma forma bem maior do que eu já enxergava.
Agora me pergunto.
- Hoje longe do seu amor, dos seus abraços.
O que faço? No silêncio da sua voz ouço o meu grito. 
Na secura das minhas lágrimas, enxugo o meu pranto.                   
Com minha mão trêmula, lhe desenho como desenho uma flor.
Em cada pétala vou colorindo uma cor.
Com o cheiro do seu perfume declamo a todo instante o meu amor.
Não restam mais esperanças, nem o tempo me faz esquecer-lhe. Então... O que fazer?
   Então fecho os meus olhos. Mais uma vez sinto você em minha frente.
E de olhos fechados ainda, sinto o seu perfume.
Parado eu fico, talvez seja só ilusão.
Mas todo o meu sentir leva você ao meu coração.
Desperto, abro os meus olhos, você não está.
Então vem à realidade. Tudo não passa da minha mais pura ilusão.
E a força do amor estar a me alimentar para que eu seja melhor do que ontem e amanhã melhor do que hoje.
Mesmo que venham ventos e tempestades.
Nada conseguirá me derrubar.
Mesmo que eu esteja sonhando, o amor continuará junto comigo.
O amor nunca me deixará.
Porque eu aprendi amar.
  Levi leva uma mão ao rosto, segurando as lágrimas e ao mesmo tempo leva outra mão ao peito tentando acalmar as batidas do seu coração. 
O sol da tarde já se escondendo atrás da serra.
Mais um dia terminando e mais uma noite iniciando e só as lembrança e as saudades tomam conta do seu peito.
   E assim passava, mais um dia, mais uma noite e mais outro dia, outra noite e seu amor e a saudade só aumentava em seu coração.
  Mais um dia acordei com saudades de você.
Olhei em minha volta e você não enxerguei.
O sol adormeceu porque a nuvem o acalentou.
O vento passou e não trouxe você para mim.
Os dias e as noites passam e continua a saudade sua
Agora é noite e como vou dormir?
Saio a lhe procurar em cada esquina da rua.
Mas onde lhe encontrar?
Onde lhe encontrar?              
Cada dia busco uma nova forma de falar de AMOR.
Desenho rosas, desenho folhas, desenho rios, desenho mares.
E nessas misturas de desenhar, nas montanhas quero chegar.
Busco a nova forma mas não vou encontrar. 
O que fazer se é só assim que de AMOR eu sei falar.

  Aspiro o perfume das flores que me rodeiam.
Tropeço nas pedras que atrapalham o meu caminho.
Abraço o vento, quando seus movimentos assanham meus cabelos.
Beijo a leve brisa que me desperta pela
Manhã.
Canto a canção de ninar, buscando o meu ninho de paz.
Acaricio o ar que respiro não o permitindo me sufocar.
 Agradeço aos céus, aos mares, aos pássaros, as árvores, toda a natureza.
Respiro o que me faz sentir feliz e me faz sentir feliz e entender que amar é viver.

O AMOR é o maior sentimento que completa as nossas vidas.

No meio de tudo o que me aconteceu será possível ainda perguntar?

E... Se isso não tivesse me acontecido?
Se eu tivesse feito de outro jeito? Mais... Se o meu destino me reservou essas coisas... O que fazer agora?
Assim eu passei... Assim eu pensei... Assim eu penso.
Destino...
Meu traiçoeiro destino!
Mas...
Se eu errei por tanto amor.
Perdoe-me, por favor!




                                    
  V I V A...

... Feito as águas dos riachos que escorrem entre as pedras em busca dos rios.
...Feito as águas dos rios que escorrem entre as pedras e deságuam no mar. 
...Feito o sol que bronzeia a pele sem saber a hora de parar.
...  Feito a lua que clareia a escuridão da noite deixando uma linda luz que encanta todo o nosso olhar.
... Feito as estrelas que brilham no céu impedindo de tocá-las, mas, com um grande brilho que serve para nos guiar. 
... Feito o vendaval que deixa as árvores no chão deixando aceleradas as águas do mar e nosso coração.
... Feito as mãos que se entrelaçam trazendo a graça do amor e a beleza da mais linda e perfeita união.
... Feito as maravilhas que enxergamos e desfrutamos sem guardar mágoas do que não agrada ao coração.
Assim é esse grande universo, impossível descrever quanta beleza temos para viver.
ENTÃO VIVA... ANTES QUE TUDO SE APAGUE!
                         
Há uma luz na escuridão.
Uma nuvem encobre a lua na imensidão.
Os sonhos alimentam a nossa alma
Renascemos quando ouvimos o som de uma linda canção.
O silêncio muitas vezes nos faz chorar.
E com o silêncio refletimos a lição que deixamos de decorar.
Com a esperança, persistimos e cantamos.
Aprendemos cultivar a luz que a cada dia vamos conseguindo enxergar o seu colorido.
E cultivando teremos sempre o nosso jardim florido.

               ===
Então fechei meus olhos.
Mais uma vez senti você em minha frente.
E de olhos fechados ainda senti seu perfume.
Parado eu fiquei, talvez fosse ilusão.
Mas todo o meu sentir.
Levava você ao meu coração.
Uma lágrima está presa na garganta.
É sinal que o coração quer chorar.
Pois com a tua demora, deixei minha saudade em meu peito congelar.
Mesmo que eu tivesse a certeza de que não lhe encontraria.
Ainda assim lhe procuraria.
Pois com as voltas que o mundo dar
Um dia em meus braços você cairia.
Onde está você?
Por que não vem me encontrar?
Já lhe procurei por toda parte.
Preciso que venha me amar.






                POESIAS

                    
Quando penso em lhe esquecer.
Só lembro-me de lembrar-me de você.
Não controlando minha saudade
Meu coração só pede para lhe ver.

               ===

Dos teus traços desenhei meus sonhos
Dos meus sonhos idealizei meus sonhos
Dos meus desejos inventei a necessidade de você. E de você fiz o meu prazer.  
Sejam como os pássaros, confiem em vocês mesmos. Façam sempre o bem. E no espelho da vida, vejam se o seu REFLEXO lhe permite ser FELIZ.
                         
 
Ainda que eu não possa lhe enxergar 
Posso sentir o seu amor e lhe amar
Ainda que eu não possa lhe ouvir
Posso sentir sua mão a me tocar
Ainda que eu não possa falar
Posso pedir ao vento 
Que me leve aonde você está.

                      XXX

Perdi-me de tanto amor. E se um dia eu te encontrar? Tudo o que eu quero é te amar. Se por acaso sentir um beijo em seu lindo rosto. Sou eu com muita saudade. Vim para sentir o seu gosto.
                    ===            
Quando lhe conheci não imaginei que seria assim.
Com a sua ausência.
Então descobri que a saudade é ruim.
O meu amor é tão verdadeiro.
Perfume de flor e jasmim.
Pra mim é meu amor primeiro
Que sinto e guardo dentro de mim.

                   XXX

Vento sopre em mim com toda a sua Força.
Para que eu entenda o que é viver
E me rodopie feito um pião.
E com toda força me segure para eu não cair no chão.
                ===

Vento venha me contar.
Com será o novo amanhecer.
Como será o novo por do sol.
Mesmo que todos os dias sejam iguais
Não me deixe acordar
Quero continuar sonhar.

              ===

Na beleza do amanhecer
Eu só quero te querer
E no meu te querer não vejo o anoitecer.
Porque te espero e te quero. Por que te perder?

             ===
Sinto só o vento passar
E tirando todo o meu ar
Lembrando que fomos só um
Mas nos braços um do outro
Fomos dois em um.

         ===

Que o vento diga a todos
Em seus braços eu fui você
Em meus braços você foi eu
Do seu fôlego tirei meu fôlego
E hoje sem você me sufoquei.
Tenho trança no colo
Tenho franja nos cabelos
A saudade me consome
Eu entro em desespero

       ===

Hoje estou aqui sozinho
Bem longe de você
Meu coração reclama
Querendo só lhe vê
Hoje me pergunto
Sem você o que será de mim?
Olhando o infinito.
Mais sei que vai ter fim
 Não quero mais chorar
Pois de lágrimas já me banhei
E quando o sol brilhar
Eu sei que tudo irá passar

           ===


Com as ondas do mar sinto teus braços me abraçarem
Com a leve brisa sinto tuas mãos me acariciarem
Com o sol ardente sinto o calor do teu corpo junto ao meu.
Ah! Mas com os pingos da chuva,
Sinto o mel dos teus lábios molharem os meus...
Podes não acreditar, mas meu coração.
Dispara ao te encontrar.
Fecho os olhos para não fitar os seus.
Mas, quando os abro, você já está dentro dos meus.

                        ===


Perdi-me tentando te encontrar.
Em meu caminho tinha companhia, mas sozinho eu andava.
Quando longe eu estava o começo do fim eu avistava.
E perdido eu continuava.
Sabendo que o fim nunca chegava.
E nesse saber sem saber, adeus eu te dava.
Vento venha me contar.
Com será o novo amanhecer.
Como será o novo por do sol.
Mesmo que todos os dias sejam iguais
Não me deixe acordar
Quero continuar sonhar.

               ===

Eu quero apenas sonhar.
Sentir suas mãos a me tocar.
Viajar em seu colo.
E não cansar até o sol nascer.
Mesmo assim se o sonho continuar.
Eu quero sempre te amar.

              ===

Vento deixe-me sonhar.
Mas continue a me soprar.
Não se canse e não pare.
Nem no seu silêncio eu quero acordar.
Aqui estou no mesmo lugar.
O vento está a me soprar.
O amor a me fazer companhia
E no silêncio o vento e sol.
Ainda querem me fazer continuar sonhar.

             ===

Vento me leva.
Leva-me aonde você for
Mesmo neste imenso universo.
Quero estar acordado
Mas em sonho eu vou.

             ===

Quero dormir em seus olhos.
Acordar em seu sono.
Despertar em seu amanhecer.
Viver a minha fantasia.
Sabendo que amanhã já será outro dia.
             ===
Mesmo passando pelo mesmo caminho.
Mesmo que eu me lembre de que já estive neste mesmo lugar.
Mesmo que eu já tiver visto a mesma estrela.
Nesses mesmos caminhos estarei a te encontrar. Mesmo assim, quero apenas sonhar.

               ===
Agora só me resta esperar.
E quando esse dia chegar, então chorarei em olhar-te outra vez e enxergar a minha imagem refletida em teus olhos e poder falar mais uma vez. 
Em toda a minha existência eu te amarei.
                  ===

Lá fora o sol brilha.
E minha alma está fria.
Procuro-te entre as nuvens.
Procuro-te em cada raio de sol.
Procuro-te numa brisa leve que toca meu rosto.
Procuro-te em todos os lugares.
E de tanto te procurar, aonde vou te encontrar?

               ===

Então fechei meus olhos.
Mais uma vez senti você em minha frente.
E de olhos fechados ainda senti seu perfume.
Parado eu fiquei, talvez fosse ilusão.
Mas todo o meu sentir.
Levava você ao meu coração.
Uma lágrima está presa na garganta.
É sinal que o coração quer chorar.
Pois com a tua demora, deixei minha saudade em meu peito congelar.
Mesmo que eu tivesse a certeza de que não lhe encontraria.
Ainda assim lhe procuraria.
Pois com as voltas que o mundo dar
Um dia em meus braços você caria.
Onde está você?
Por que não vem me encontrar?
Já lhe procurei por toda parte.
Preciso que venha me amar.

                ===

E pouco a pouco o silêncio e a saudade me abraçam.
Talvez tenha sido por um olhar, ou por algumas palavras.
Ou talvez por aqueles momentos contigo. Muito bom ter te conhecido.
Bem melhor ainda por despertar em mim um sentimento que há muito não sentia.

                 ===

 Encontrei-me em seu olhar.
Quando você não quis me encontrar.
Entristeci-me em seu sorriso.
Quando você não quis me alegrar.
E em seu coração, eu nem pude chegar.
Pois você não o abriu para eu entrar.

                ===

Onde está você?
Por que não vem me encontrar.
Já lhe procurei por toda parte.
Preciso que venha me amar.

               ===

Com o sol me bronzeei.
Com o vento me refresquei.
Com a lua me iluminei.
Com as estrelas me encantei.
Com você descobri o amor.
Mesmo assim sozinho aqui estou.
              ===

Na sombra de uma árvore parei para descansar.
Com o canto dos pássaros viajei na imensidão.
Com o cheiro da relva perfumei meu corpo sem me tocar.
Com o toque leve da brisa em minha face senti você me beijar.
Ao longe o sol se escondia avisando que eu precisava andar.
Com minha lentidão depressa eu andava.
Com minha alegria eu levava meu sorriso.
Com a minha mansidão nada eu temia

                      ===
VENTO que move os moinhos.
Venha no coração de todos tocar.
E com um leve toque faça todos entender.
Que para ser FELIZ só precisamos.
AMAR.
                     ===

Lá fora o SOL brilha.
E minha alma está fria.
Procuro-te entre as nuvens.
Procuro-te em um raio de sol.
Procuro-te em uma brisa que me toca o rosto. Se te procuro em todos os lugares.
Onde te encontrar?   

                      ===
Desperte-me do meu sonho.
Deixe-me respirar.
Deixe-me lhe beijar.
Deixe-me lhe abraçar.
Deixe-me lhe amar.
Estou aqui ainda a sonhar.      

                ===

Misturei os meus pensamentos
Para tentar lhe esquecer.
Quando fui selecioná-los
Lembrei-me que só existia você.

               ===


Quando bate à saudade·
A solidão me invade
E essa vontade de você
Toma conta do meu ser.
E as horas vão passando
Meu amor vai aumentando
E o que fazer?

                  ===

Onde estão os seus olhos
Que não querem me enxergar? Onde estão os seus braços? Que não querem me abraçar! Onde está o teu sorriso? Para me alegrar! E o seu AMOR onde estar? Para me amar!
               ===      


  Ainda que eu não fale.
 Você pode me escutar
Ainda que eu não sinta o amor
Você pode me amar
Ainda que eu não saiba o que é saudade
Você vem correndo me buscar. 

                 ===

Quando te achei me encontrei
Quando te conheci me apaixonei
Mas quando te perdi não sabia onde eu estava. E agora sem você. 
Quem sou eu?  

                  ===     

Da tua boca fiz meu sorriso
Dos teus braços fiz meus abraços
Do teu olhar fiz minha visão
Dos teus passos fiz meu caminhar
E agora sem você. O que faço?

               ===

O amor não é aquilo que é dito, nem sentido, mas sim, aquilo que nos faz ser melhores conosco mesmos e com as pessoas. O amor é o maior sentimento que completa as nossas vidas.

                 ===



Erros podem ser perdoados.
Atitudes podem ser repensadas.
Mas algumas palavras ficam guardadas em nosso coração.
Que nunca vão ser esquecidas.

                ===

Hoje tenho a certeza.
Que um dia eu serei feliz.
Sem querer confessar.
Que é o que eu sempre quis. 
               ===

Tudo que vejo é tão lindo.
Tenho pena, de tudo me afastar.
Hoje mesmo arranjarei um jeito.
Para de tudo isso, melhor aproveitar.
              ===
Com os raios do sol eu me banho.
Com a claridade da lua encontro a paz.
Com o brilho das estrelas me ilumino.
No silêncio da noite eu me pergunto.
O que eu quero mais?
              ===
Já disse adeus e chorei.
Disse até logo e voltei.
Só não vou dizer nunca mais.
Pois não quero voltar atrás.

            ===

Faça o que lhe faz bem
Sem fazer o mal a ninguém
No espelho da vida veja
Se o seu reflexo lhe permite ser feliz.
            ===
Não querendo falar me calei
Não querendo chorar me sufoquei
Não querendo ofender me ofendi
Por não querer falar
Por não querer chorar
Por não querer ofender
Feri-me e sofri.

           ===

O infinito é minha interrogação
Meu medo se perde na escuridão
Minha alma se acalenta com a certeza
De que o amor é a maior grandeza.

.
xxx


                 
O AMOR é o maior sentimento que completa as nossas vidas.

No meio de tudo o que me aconteceu será possível ainda perguntar?

E... Se isso não tivesse me acontecido?
Se eu tivesse feito de outro jeito? Mais... Se o meu destino me reservou essas coisas... O que fazer agora?
Assim eu passei... Assim eu pensei... Assim eu penso.
Destino...
Meu traiçoeiro destino!
Mas...
Se eu errei por tanto amor.
Perdoe-me, por favor!

                


            ONDE ESTÁ VOCÊ?

Por um acaso eu lhe conheci.
E simplesmente me apaixonei, eu me apaixonei!
Mas o destino nos separou .
E sem você eu não me encontrei, eu não me encontrei!
O vento passa e não trás mais você pra mim.
Quisera arrancar do meu peito essa dor.
Os dias e as noites passam e continua a saudade sua.
Saio a lhe procurar em cada esquina da rua.
Mas onde está você? Onde está você?
Agora é noite e como vou dormir
Como vou dormir? Sem você aqui.
Onde está você?



Disse-me adeus e não entendi
Por lhe amar tanto não percebi
Que a razão é maior que a emoção
Em minha fraqueza adormeci
E no momento mais difícil lhe perdi
Onde está você? Onde está você?

Conquistou-me sem falar nada.
E em silêncio eu lhe aceitei.
Disse-me adeus falando tudo.
E com esse adeus eu chorei.
Eu só chorei
Mas, onde está você?
Onde está você?Onde está você?



xxx


Ainda aprenderei voar.
Pedirei ao vento que siga o meu caminho.
Meu destino seguirei confiante e com alegria.
O amor me persegue e será sempre o meu guia.

xxx

Quando eu dormir
Traga-me meu sonho.
Não deixe-me parar de sonhar.
Quando eu chorar
Traga-me seu sorriso.
Quando eu acordar
Em cada lágrima caída
Deixo uma saudade vencida.

 xxx

Tempo veloz
Que não espera por nós.
Corremos atrás do que não temos
Em busca do que queremos.
E assim achamos que estamos sós..
Ainda aprenderei voar.


xxx

Na minha lentidão, ando depressa.
Na minha simplicidade e mansidão.
Escrevi essas simples palavras.
No meu bem querer
Espero que todos entendam
O que eu quis DIZER.



OBRIGADA!.....